Relator especial da ONU acusa Israel de apartheid

“Com os olhos da comunidade internacional bem abertos, Israel impôs à Palestina uma realidade de apartheid num mundo pós-apartheid”, pontua Michael Lynk em relatório

Eleição em Israel
Eleição em Israel (Foto: REUTERS/Ammar Awad)


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Rede Brasil Atual - Um relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) acusou Israel de cometer o crime de apartheid nos territórios ocupados da Palestina, avaliação similar à de observadores internacionais e entidades como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch (HWR).

Michael Lynk, professor de direito canadense nomeado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas para investigar abusos nos territórios ocupados, afirmou em seu relatório que a situação vivida pelos palestinos corresponde à definição legal do apartheid estabelecida pelo direito internacional.

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“No território palestino que Israel ocupa desde 1967, agora há cinco milhões de palestinos apátridas vivendo sem direitos, em um estado agudo de subjugação, e sem caminho para a autodeterminação ou um Estado independente viável que a comunidade internacional prometeu repetidamente ser seu direito”, escreveu ele em uma cópia antecipada de seu relatório. “As diferenças nas condições de vida e nos direitos e benefícios de cidadania são gritantes, profundamente discriminatórias e mantidas por meio da opressão sistemática e institucionalizada”, aponta.

Apartheid em Israel e Estatuto de Roma

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Michael Lynk ressalva que a lei internacional permite um tratamento diferenciado de uma população durante uma ocupação, mas apenas de forma restrita, e que “este não é o caso na ocupação israelense” que perdura há 55 anos. Ele afirma ainda que “nas últimas décadas,  a inexorável ocupação israelense tornou-se indistinguível da anexação”.

Para chegar à conclusão de que se trata de um apartheid, o relator recorre aos três passos do teste combinado da Convenção contra o Apartheid e o Estatuto de Roma. O resultado é que “o sistema político de governo enraizado nos territórios palestinos ocupados que confere a um grupo étnico-racial direitos, benefícios e privilégios substanciais ao mesmo tempo que sujeita intencionalmente outro grupo a viver atrás de muros, postos de controle e sob um regime militar permanente sans droits, sans égalité, sans dignité et sans liberté satisfaz o padrão probatório prevalecente para a existência do apartheid”.

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“Com os olhos da comunidade internacional bem abertos, Israel impôs à Palestina uma realidade de apartheid num mundo pós-apartheid”, pontua Michael Lynk. Em suas recomendações ao Conselho dos Direitos Humanos da ONU, o relator defende que “o governo de Israel cumpra plenamente as suas obrigações ao abrigo do direito internacional e ponha total e incondicionalmente fim à ocupação do território palestino, com toda a rapidez”.

O relator recomenda ainda que a comunidade internacional “aceite e adote as conclusões das organizações palestinas, israelenses e internacionais de direitos humanos de que o apartheid está sendo praticado por Israel nos territórios palestinos ocupados e não só”, exortando os demais países a tomarem medidas diplomáticas para responsabilizar Israel e abreviar o fim da ocupação.

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