Rei Juan Carlos abdica em favor do filho Felipe
Razão pela qual o rei Juan Carlos I da Espanha decidiu abdicar em favor do filho, o príncipe Felipe de Borbón, "é algo que Sua Majestade deseja comunicar pessoalmente a todos os espanhóis ao longo desta manhã", disse o chefe de Governo espanhol Mariano Rajoy
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MADRI, 02 Jun 2014 (AFP) - O rei Juan Carlos I da Espanha decidiu abdicar em favor do filho, o príncipe Felipe de Borbón, anunciou nesta segunda-feira o chefe de Governo espanhol Mariano Rajoy.
O monarca, de 76 anos, mostrou "sua vontade de renunciar ao trono e abrir o processo sucessório", disse Rajoy em uma declaração institucional.
A razão pela qual o rei decidiu abdicar a favor do filho "é algo que Sua Majestade deseja comunicar pessoalmente a todos os espanhóis ao longo desta manhã".
"Vi o rei convencido de que este é o melhor momento para que possa acontecer, com toda normalidade, a mudança na chefia de Estado e a transmissão da coroa ao príncipe Felipe, que reinará como Felipe VI", completou Rajoy.
Rajoy prestou homenagem ao rei ao afirmar que "renuncia ao trono uma figura histórica tão estreitamente vinculada à democracia espanhola que não é possível entender uma sem a outra".
"A todos nos deixa uma enorme dívida de gratidão", acrescentou o primeiro-ministro espanhol, afirmou, antes de informar que na terça-feira acontecerá um conselho de ministros extraordinário sobre o processo de sucessão.
Juan Carlos assumiu o trono em 22 de novembro de 1975, apenas dois dias depois da morte do ditador Francisco Franco, que o havia nomeado seu sucessor.
Muito popular, especialmente após a oposição a uma tentativa de golpe de Estado em 23 de fevereiro de 1981, a aceitação do monarca entre os espanhóis caiu nos últimos anos após uma série de escândalos.
Juan Carlos guiou Espanha para democracia, mas escândalos abalaram imagem
MADRI (Reuters) - O rei espanhol Juan Carlos, que anunciou nesta segunda-feira seu plano de abdicar do trono, ajudou a guiar a Espanha para a democracia após a morte do ditador Francisco Franco, mas seu reinado de 40 anos foi obscurecido, nos últimos anos, por um escândalo de corrupção e por acusações de que estava alheio ao sofrimento de seu povo com a recessão da economia.
O reinado de Juan Carlos, de 76 anos, é mais conhecido por uma transmissão via televisão que ele fez, em 24 de fevereiro de 1981, condenando a revolta de militares de direita descontentes com reformas democráticas. O vídeo do líder dos rebeldes disparando seu revólver no Parlamento para intimidar deputados foi mostrado em todo o mundo.
"A coroa, símbolo da permanência e da unidade da terra pátria, não pode tolerar quaisquer ações ou atitudes de pessoas que procuram interromper o processo democrático pela força", disse ele à nação na noite da tentativa de golpe.
Apesar de suspeitas de alguns esquerdistas de que ele havia originalmente encorajado a tentativa, Juan Carlos conseguiu ganhar o respeito de republicanos influentes.
"Se o rei não estivesse lá em 23 de fevereiro, o golpe militar teria triunfado - disso eu não tenho dúvidas", disse em 2001 o líder veterano do Partido Comunista, Santiago Carrillo, que passou cerca de 40 anos no exílio durante o governo de Franco.
Como monarca, Juan Carlos e sua mulher, a rainha Sophia, é considerado afável e disponível, em contraste com a família real britânica, tida como mais distante. O rei é um marinheiro amador e também aprecia a caça de ursos, andar de ski e pilotar moto.
Mas a imprensa espanhola tradicionalmente trata a família real com uma deferência que faria inveja aos seus semelhantes britânicos, evitando os aspectos mais controversos de sua vida.
Um escândalo de corrupção prejudicou a popularidade do rei nos últimos anos. Sua filha, a princesa, Cristina, e o marido dela, Iñaki Urdangarin, estão sob investigação sobre uma suposta apropriação de 6 milhões de euros em recursos públicos através de uma instituição de caridade.
O próprio rei enfrentou acusações de estar alheio às aflições dos espanhóis, ao ser flagrado em uma custosa viagem de caça a elefantes financiada com dinheiro privado, ao passo que seu povo em casa sofria com uma recessão econômica e alto nível de desemprego.
Sua esperada decisão de abdicar a favor do príncipe Felipe foi anunciada pelo primeiro-ministro Mariano Rajoy. Ele disse que o rei, cuja saúde está frágil e que foi submetido a cinco operações em dois anos, estava deixando o reinado por motivos pessoais.
Fontes no palácio real citaram motivações políticas.
Alguns críticos haviam inicialmente visto o rei como uma marionete escolhida por Franco, que governou a Espanha por décadas após vencer uma longa guerra civil em 1939. Franco declarou-se chefe de Estado, mas também foi o regente nacional, já que a família real estava exilada.
Juan Carlos foi coroado dois dias após a morte de Franco, em 22 de novembro de 1975. Franco oficialmente havia designado Juan Carlos como seu sucessor em 1969, mas já o havia preparado desde 1948, quando o futuro rei pisou na Espanha pela primeira vez, aos 10 anos.
Apoiadores de extrema-direita esperavam que o rei continuasse com o estilo autoritário de Franco, e sentiram-se traídos quando ele ajudou a levar a Espanha em direção a uma constituição democrática em 1978.
Juan Carlos Alfonso Víctor María Borbón y Borbón-Dos Sicilias nasceu em 5 de janeiro de 1938, sendo educação na Suíça, em Portugal e mais tarde em academias das forças armadas na Espanha, e frequentemente era visto utilizando uniformes militares.
Ele se casou com a princesa Sophia, da Grécia, em 1962. Eles têm três filhos e oito netos. Seu único filho homem Felipe, o caçula, casou-se com Letizia Ortiz, uma apresentadora de televisão, em maio de 2004.
(Por Paul Day)
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