Redes espalham fake news sobre golpe contra Xi Jinping às vésperas do 20º Congresso do PCCh
Absoluta normalidade reina em Pequim, mas boatos sobre uma suposta ação militar na capital chinesa continuam sendo espalhados nas redes sociais
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Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - Absoluta normalidade reina em Pequim, capital da China. Aposentados passam a manhã a nadar no cristalino lago Houhai, jovens enchem os bares e restaurantes do agitado bairro de Sanlitun pela noite, e o trânsito continua implacável em todos os anéis da megacidade.
Entretanto, na madrugada de sábado, as redes sociais foram eletrificadas com rumores de que um grande destacamento militar estaria a caminho de Pequim. O motivo seria um suposto plano para remover Xi Jinping do poder, às vésperas do 20º Congresso Nacional do PCCh, que deve autorizar um terceiro mandato ao presidente. Algumas contas no Twitter chegaram a afirmar que Xi Jinping estaria sob prisão domiciliar, citando também o suposto cancelamento de alguns voos na região e as prisões recentes de ex-oficiais notáveis por corrupção.
Alguns dos principais propagadores da fake news são conhecidos por espalharem conteúdo anti-China, como Gordon G. Chang, eterno expoente da teoria do "iminente colapso” econômico chinês. Contas ligadas ao culto Falun Gong, financiado pelo Fundo Nacional para a Democracia, foram as primeiras a impulsionar o rumor.
Esse vídeo de veículos militares se deslocando para #Pequim vem imediatamente após o cancelamento de 59% dos voos no país e a prisão de altos funcionários. Há muita fumaça, o que significa que há um incêndio em algum lugar dentro do #PCCh. A #China é instável.
O burburinho foi tamanho que a tag Xi Jinping entrou para os Trending Topics do Twitter, mas nenhum veículo relevante da imprensa internacional chegou a publicar algo. Apenas alguns sítios indianos veicularam matérias com títulos clickbait, e mesmo assim sem nenhuma confirmação.
Analistas veem que o boato ganhou espaço somente por conta da tensão do momento político atual. Alia-se a isto o fato de que a centralização da informação na China significa que não há notícias sobre o dia-a-dia de Xi Jinping. A última aparição pública do líder foi na Cúpula da Organização para Cooperação de Xangai, no Uzbequistão, há uma semana. Na última sexta-feira, 23, o presidente enviou uma carta de congratulações ao Serviço de Notícias da China por seu 70º aniversário de fundação.
Com todos os delegados já eleitos para o Congresso de 16 de outubro e os preparativos para a reunião quinquenal a todo vapor, as únicas especulações que interessam aos chineses remetem à possibilidade de o Partido conceder a Xi Jinping o título de “líder do povo”, não usado desde Mao Zedong.
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