‘Recorrer ao FMI agora é tratar doença com remédio errado’, diz ex-chefe do BC argentino

Após o governo argentino, de Maurício Macri, anunciar o aumento da taxa de juros para 40% e, depois, recorrer ao FMI, Martín Redrado, 57, que chefiou o banco central de 2004 a 2010, afirma que se trata de "uma alternativa inadequada para o tipo de enfermidade. É como ter um problema de coração e te tratarem com antibióticos"

Após o governo argentino, de Maurício Macri, anunciar o aumento da taxa de juros para 40% e, depois, recorrer ao FMI, Martín Redrado, 57, que chefiou o banco central de 2004 a 2010, afirma que se trata de "uma alternativa inadequada para o tipo de enfermidade. É como ter um problema de coração e te tratarem com antibióticos"
Após o governo argentino, de Maurício Macri, anunciar o aumento da taxa de juros para 40% e, depois, recorrer ao FMI, Martín Redrado, 57, que chefiou o banco central de 2004 a 2010, afirma que se trata de "uma alternativa inadequada para o tipo de enfermidade. É como ter um problema de coração e te tratarem com antibióticos" (Foto: Leonardo Lucena)


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247 - Após o governo argentino, de Maurício Macri, anunciar o aumento da taxa de juros para 40% e, depois, recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), Martín Redrado, 57, que chefiou o banco central de 2004 a 2010, afirma que se trata de "uma alternativa inadequada para o tipo de enfermidade. É como ter um problema de coração e te tratarem com antibióticos".

De acordo com o ex-dirigente, o executivo do país vizinho "está confundindo um fenômeno transitório com algo permanente. É certo que as condições financeiras se endureceram para os emergentes. Mas endureceram transitoriamente, não acabou o financiamento para eles".

"Um recurso ao FMI se faz quando não se tem outra alternativa ou há um vencimento de dívida peremptório, para o qual não se pode fazer frente. Não é o caso da Argentina, que tem 80% de suas necessidades financeiras cobertas. O problema que o país enfrenta hoje é uma corrida cambial, não uma crise de financiamento. Então, é uma alternativa inadequada para o tipo de enfermidade. É como ter um problema de coração e te tratarem com antibióticos. O que ocorreu foi uma má gestão da política cambial", acrescenta. Os relatos foram publicados no jornal Folha de S. Paulo.

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Redrado avalia que "era possível usar as ferramentas que um banco central tem à mão para dominar uma corrida cambial. E, uma vez estabilizada a crise, trabalhar em problemas de fundo num plano econômico de médio prazo, que permita um ordenamento das principais variáveis macroeconômicas".

Ao ser questionado sobre que elementos da política econômica da Argentina estão desordenados, ele afirma que "a política fiscal, ou seja, o gasto público, está crescendo a um ritmo de 18% ao ano, a emissão de moeda, 28% ao ano, e a política salarial do setor público está crescendo 22% em termos anuais. Os três pilares estão indo na mesma direção. E, com isso, se tem uma política econômica bastante desbalanceada".

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"A equipe econômica tem boas intenções, vontade de resolver os problemas, mas não vê a integralidade que demanda um plano econômico. Foi uma decisão tomada de maneira improvisada. Além disso, a comunicação do presidente Mauricio Macri [na quarta-feira (9)] mostra uma atitude apressada, que obviamente provoca um nervosismo no mercado, pois fica claro que as autoridades não têm claro qual caminho seguir. Agora iniciamos um caminho de seis semanas até saber qual será o programa [de ajuste] do FMI. Enquanto isso, tudo fica em pausa".

O governo Macri aumentou os juros para conter a inflação. Veja como funciona: se um cidadão compra um título de R$ 100 do governo, posteriormente receberá R$ 140 de reembolso, caso a taxa de juros esteja em 40% - neste caso, o governo reembolsaria R$ 140, que a soma dos R$ 100 do valor do título mais R$ 40 (40% de 100). Ou seja, quanto maior for a taxa de juros maior será o reembolso do governo para quem comprar títulos na Argentina. A ideia é atrair mais investidores e aumentar a entrada de dólar no mercado (boa parte dos argentinos mantêm suas economias em dólar).

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O dólar é como um produto (laranja, banana, etc.). Se há maior quantidade da moeda americana em um determinado mercado, o preço do dólar tende a cair. Como consequência, a tendência é conter a inflação, pois boa parte do insumos para a indústria argentina são importados, assim como no Brasil. 

A decisão de subir a taxa de juros na Argentina também foi provocada pela subida dos juros nos Estados Unidos. Se os juros de lá sobem, aumentam os reembolsos para quem comprar títulos dos americanos, que podem ser pessoas da lá - argentinos, por exemplo, mesmo no seu país de origem podem comprar títulos americanos. Então, o governo Macri subiu os juros para atrair investidores. 

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Mas os efeitos não devem vir a curto prazo. Como consequência das incertezas econômicas, o governo argentino recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI).

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