Putin diz que reconheceu repúblicas do Donbass porque Ucrânia declarou que não cumprirá Acordos de Minsk
Afirmação do presidente russo foi feita em entrevista coletiva nesta terça-feira
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Sputnik - Durante uma coletiva de imprensa na tarde desta terça-feira (22), o presidente da Rússia declarou que os Acordos de Minsk não existem mais, já que a Rússia reconheceu as repúblicas populares de Donetsk e Lugansk.
Segundo o líder russo, os Acordos de Minsk "foram mortos" pelas autoridades da Ucrânia muito antes do reconhecimento da RPD e RPL.
"[...] O reconhecimento dessas repúblicas é gerado pelo fato de que as autoridades de Kiev, já publicamente, começaram a declarar que elas não vão cumprir esses acordos [de Minsk]. [...] O que há de se esperar aqui? Esperar a continuação desse abuso contra as pessoas? Desse genocídio?"
A posição da Ucrânia levou a Rússia a tomar a decisão sobre o reconhecimento das repúblicas populares de Donetsk e Lugansk. A Rússia havia proposto resolver a questão de Donbass por meio de conversas e do cumprimento dos Acordos de Minsk, mas esse ponto já perdeu sua relevância, disse Putin.
"Nossos colegas da Europa dizem a mesma coisa: 'Sim, sim, temos que seguir esse caminho [de cumprimento dos Acordos de Minsk]. Mas na realidade eles não conseguiram obrigar seus parceiros, as autoridades de Kiev, a fazerem isso, por isso tivemos que tomar essa decisão."
"[...] Nós tratamos disso [Acordos de Minsk] durante quase oito anos. Quando digo 'nós' quero dizer que a Rússia e eu próprio éramos autores desses documentos. Por isso, quero destacar mais uma vez: estamos interessados na realização desse complexo de medidas", disse. "Porque isso é o resultado de um compromisso. Esses documentos foram assinados pelos líderes de outras repúblicas antes não reconhecidas."
Junto ao reconhecimento dessas repúblicas, a Rússia legitimou todos os documentos ligados à questão, incluindo as Constituições onde estão indicadas as fronteiras das repúblicas.
Putin diz acreditar que todas as questões sobre as fronteiras da RPD e RPL serão resolvidas por meio de conversas, entretanto, no momento isso é impossível, segundo o líder russo. Mas o presidente declarou que a situação em Donbass tende a se agravar.
"Acreditamos, e quero sublinhar isso, que todas as questões serão resolvidas por meio de conversas entre as autoridades de Kiev e os líderes dessas repúblicas [RPD e RPL], mas infelizmente, neste momento, entendemos que isso é impossível já que as ações de combate continuam, além de terem a tendência de se agravar", disse Putin.
Quanto à pergunta sobre se é possível e se é preciso resolver todas as questões por meio da força e continuar do lado do bem, Putin questionou o entrevistador: "por que você acha que o bem deve sempre ser fraco? Não acho. Acho que é o bem que prevê a capacidade de ser defendido. E nós vamos partir desse fato", explicou Putin.
O presidente russo também comentou seu pedido ao Conselho da Federação da nação sobre o uso das Forças Armadas do país no exterior. Segundo ele, Moscou vai cumprir suas obrigações caso seja necessário. Entretanto, o presidente sublinhou: "Eu não disse que nossas tropas vão para Donbass agora mesmo". Respondendo à pergunta sobre para onde podem ir as tropas russas na região, ele disse que não é possível prever as ações concretas das Forças Armadas do país, pois isso vai depender da situação.
De acordo com o presidente, para normalizar as relações com a Rússia, a Ucrânia precisa reconhecer a vontade das pessoas que moram na Crimeia.
Putin destacou que ninguém obrigou as pessoas a votarem pela reunificação da Crimeia com a Rússia, e por isso, o Ocidente tem que respeitar essa decisão, caso aqueles que contestam de certa maneira essa decisão se considerarem países democráticos.
A melhor decisão para a crise ucraniana, segundo Putin, seria a recusa das autoridades de Kiev de aderir à Otan.
Putin destacou que a Ucrânia tem tudo para produzir armas nucleares, só falta o sistema de enriquecimento de urânio, mas essa é uma questão técnica. Até o surgimento das armas nucleares táticas na Ucrânia seria uma ameaça estratégica para a Rússia.
"Desde a época soviética a Ucrânia tem competências nucleares bem amplas. Tem lá vários blocos nucleares e a indústria nuclear está bem desenvolvida. Lá tem tudo para resolver essa questão bem mais rápido do que em países onde esses assuntos são resolvidos a partir da estaca do zero", disse.
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