Primeiro-ministro ucraniano promete austeridade

Governo ucraniano manterá as impopulares medidas de austeridade como um "preço pela independência", disse o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk, enquanto a Rússia pressiona para desestabilizar a Ucrânia, incluindo um aumento do preço do gás

Ukrainian Prime Minister Arseny Yatseniuk listens during an interview with Reuters in Kiev April 3, 2014. The Kiev government will stick to unpopular austerity measures "as the price of independence" as Russia steps up pressure on Ukraine to destabilize i
Ukrainian Prime Minister Arseny Yatseniuk listens during an interview with Reuters in Kiev April 3, 2014. The Kiev government will stick to unpopular austerity measures "as the price of independence" as Russia steps up pressure on Ukraine to destabilize i (Foto: Gisele Federicce)


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Por Natalia Zinets e Richard Balmforth e Paul Ingrassia

KIEV, 4 Abr (Reuters) - O governo ucraniano manterá as impopulares medidas de austeridade como um "preço pela independência", disse o primeiro-ministro Arseny Yatseniuk, enquanto a Rússia pressiona para desestabilizar a Ucrânia, incluindo um aumento do preço do gás.

Yatseniuk, de 39 anos, que assumiu no mês passado o cargo de premiê-interino depois da deposição do presidente Viktor Yanukovich em decorrência dos protestos populares, admitiu que será muito difícil "sob a atual presença russa", desfazer o "crime internacional" representado pela anexação da Crimeia à Rússia.

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Essa península ucraniana, com população majoritariamente russófona, votou por sua incorporação à Rússia depois da deposição de Yanukovich, que abriu espaço para um governo pró-ocidental em Kiev.

O novo premiê descartou a possibilidade de reconhecer a anexação da Crimeia em troca de restabelecer boas relações com Moscou.

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"Quero ser perfeitamente claro. Jamais vamos reconhecer a anexação da Crimeia... Chegará a hora em que a Ucrânia irá assumir o controle da Crimeia", disse ele, em inglês, no amplo palácio governamental da era soviética, sob a bandeira azul e amarela da Ucrânia.

Ele se descreveu como o líder de um governo "kamikaze", assombrado pelas impopulares medidas de austeridade que precisará adotar -- as quais, no entanto, ele prometeu manter, incluindo a duplicação do preço do gás para consumidores domésticos, a partir de maio, e o congelamento de salários e pensões, apesar da inflação superior a 10 por cento ao ano e da retração de 3 por cento prevista para o PIB.

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A ajuda do FMI --14 a 18 bilhões de dólares, em troca de reformas econômicas duras-- seria "um tremendo passo à frente", afirmou. "Vamos recuperar a confiança e a credibilidade dos investidores estrangeiros. Este é um mapa para a Ucrânia."

O governo ucraniano disse que, sem as medidas de austeridade exigidas pelo FMI, a economia poderia encolher até 10 por cento neste ano.

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Yatseniuk, que é formado em direito e economia e foi ministro das Finanças, costuma ser visto como excessivamente intelectual e alheio aos problemas reais para ocupar o cargo em que está. Em entrevista ao jornal Kiyv Post em dezembro de 2012, ele disse que só conseguiu chegar ao primeiro escalão do governo "porque sou careca e uso óculos".

Mas ele vem se empenhando em melhorar a imagem, especialmente junto aos ucranianos que têm o russo como língua materna, que vivem principalmente no leste e sul do país.

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Analistas dizem que ele também impressionou líderes ocidentais com sua lucidez durante visitas a Washington e Bruxelas no mês passado.

Sobre o apoio ocidental na disputa envolvendo a Crimeia, Yatseniuk disse: "O mundo está preparado para a Terceira Guerra Mundial? Tenho absoluta certeza de que não."

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Ele disse que a adoção de sanções apenas limitadas por parte do Ocidente contra a Rússia é algo compreensível, mas que está permitindo que Moscou intensifique a pressão sobre o país vizinho.

"Não há razão para que a Rússia aumente o preço do gás para a Ucrânia, a não ser uma, a política. Prevemos que a Rússia irá além em termos de pressão na frente do gás, inclusive limitando o fornecimento de gás para a Ucrânia", afirmou. "Eles pressionam, pressionam, pressionam."

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