Primeiro-ministro chinês abre jogo e defende reformas
Wen Jiabao diz que "China precisa de reformas, sem as dificuldades de outra Revoluo Cultural"
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Tradução do pessoal da Vila Vudu - O primeiro-ministro da China Wen Jiabao disse a jornalistas em entrevista coletina que a China não precisa só de reformas econômicas, mas também de reformas políticas estruturais, sobretudo de reformas na estrutura do sistema de comando do Partido Comunista e do governo.
Wen falou a jornalistas, depois de concluída a Sessão Anual do Parlamento [1]; disse que podem voltar a acontecer tragédias histórias como a “Revolução Cultural”, se o país não conseguir implantar reformar políticas que deem encaminhamento satisfatório a problemas persistentes na sociedade chinesa.
“As reformas chegaram agora a um estágio crítico” – disse Wen. “Sem uma reforma política bem-sucedida, a China não conseguirá implantar toda a reforma econômica, e os ganhos que obtivemos nessas áreas poderão ser perdidos. Sem reforma política bem-sucedida, problemas novos que surgiram na sociedade chinesa não poderão ser satisfatoriamente superados e há riscos de que tragédias históricas como a “Revolução Cultural” voltem a acontecer na China”.
Mas observou também que, embora depois de derrubada a Camarilha dos Quatro,[2] o Partido tenha adotado resoluções sobre vários temas históricos e tenha decidido promover reformas e aberturas, nem todos os erros e o feudalismo da Revolução Cultural foram plenamente eliminados.
“A reforma tem de avançar; não pode parar nem retroceder, porque nem a estagnação nem o retrocesso são vias de fuga possíveis”.
Wen lembrou que, em várias ocasiões, dedicou-se a lembrar a questão da reforma política estrutural na China; que em todas as ocasiões expôs o mais claramente possível o seu pensamento; e que sua preocupação e interesse pelas reformas políticas brotam de “profundo senso de responsabilidade”.
Com a economia sempre em desenvolvimento, disse Wen, ocorreram problemas como a desigualdade de renda, a falta de confiança no governo e a corrupção.
“Estou plenamente consciente de que, para resolver esses problemas, temos de seguir adiante com a reforma da estrutura econômica e com a reforma da estrutura política, sobretudo com reformas no sistema de comando do Partido e do país” – disse ele.
O primeiro ministro disse que, para ele, todos os membros do partido e funcionários do governo que tenham senso das próprias responsabilidades devem reconhecer imediatamente que prosseguir nas reformas é “tarefa urgente” para a China.
“Sei muito bem que não será reforma fácil e que não acontecerá sem a participação consciente, o apoio, o entusiasmo e a criatividade do povo chinês” – disse Wen.
Para conduzir essas reformas num país gigantesco com população de 1,3 bilhão, observou Wen, as pessoas têm de assumir com conhecimento as circunstâncias nacionais da China e de desenvolver a democracia socialista de forma gradual, passo a passo.
O premiê disse que sabe que o povo acompanha com interesse não só o que ele diz e suas ideias, mas não perde de vista, tampouco, os resultados que seus esforços visam a obter.
“Até meu último alento, continuo pronto a dedicar-me integralmente a promover as reformas e o processo de abertura chinês” – disse.
Wen disse também que a China implementará sem descanso o sistema de autogoverno dos habitantes do campo, e protegerá seus direitos legítimos a eleições diretas.
As práticas já vigentes em muitas cidades do interior da China já mostraram, segundo Wen, que os camponeses e agricultores podem fazer escolhas muito acertadas, na eleição de comitês de moradores das áreas rurais. Para o premiê, se as pessoas conseguem administrar com sucesso uma cidade, podem administrar uma província e um país.
“Temos de estimular o povo chinês a continuar avançando na via da experimentação criativa”, acrescentou. “Creio que a democracia chinesa crescerá gradualmente, passo a passo, segundo as circunstâncias nacionais, e que essa será tendência que nada e ninguém conseguirá deter”.
Na 4ª-feira, o primeiro-ministro chinês disse também que é importante que a China tenha pleno controle dos próprios negócios e objetivos, para não se deixar arrastar pelas forças ativas na crise financeira internacional e na crise do alto endividamento europeu.
“Ante a atual crise financeira, que se aprofunda dia a dia, e ante a crise da dívida na Europa, o mais importante é que a China conduza bem seus próprios negócios”.
Disse ainda que o ano de 2012 será muito provavelmente o mais difícil dos últimos tempos; mas que será também ano carregado de oportunidades.
“O povo conta com que o governo se mantenha sereno, resoluto e confiável. E o governo conta com a confiança, o apoio e a ajuda do povo” – disse o premiê.
Essa foi a última vez em que Wen reuniu-se com a imprensa depois de encerradas as sessões do Congresso Nacional e Conferência Política Consultiva do Povo.
“Nesse meu último ano de mandato, não deixarei de cumprir o meu dever de ser fiel às minhas convicções. Sempre estarei ao lado do povo chinês” – concluiu.
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