Primeira-ministra francesa apresentará reforma previdenciária em grande teste para Macron

Uma coisa é certa: os franceses terão que trabalhar mais do que agora

(Foto: Reuters)


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PARIS, 10 Jan (Reuters) - A primeira-ministra francesa, Elisabeth Borne, revelará nesta terça-feira (10) os detalhes de uma reforma previdenciária que já está irritando os sindicatos e a grande maioria dos eleitores e será um teste fundamental para a capacidade do presidente Emmanuel Macron de implementar mudanças.

Uma coisa é certa: os franceses terão que trabalhar mais do que agora.

O cenário mais provável seria o governo aumentar a idade de aposentadoria para 64 anos, dos 62 atuais. Macron inicialmente apostava em 65, mas abrir mão de um ano facilitará a aprovação da reforma no parlamento.

O que também é certo: o governo caminha para um embate com os sindicatos. Todos eles, incluindo o CFDT moderado e reformista, disseram que rejeitam o aumento da idade de aposentadoria.

Para eles 64 ou 65 não importa muito. Qualquer um deles é inútil.

Mas a meta etária é fundamental para outro grupo --o conservador Les Republicains (LR). A forma como seus legisladores votam vai determinar o rumo da reforma no parlamento, onde Macron perdeu sua maioria absoluta no ano passado.

O LR pode ter perdido muitos deputados nas eleições do ano passado, mas seus deputados, mais alguns aliados de centro-direita, somados ao grupo centrista de Macron, seriam suficientes para levar a reforma adiante.

E o novo chefe do LR, Eric Ciotti, disse que apoiaria a reforma --se suas condições fossem atendidas, incluindo aumentar a idade de aposentadoria para 64 em vez de 65 e aumentar a pensão mínima para todos, e não apenas para os novos aposentados.

Nem todos em seu partido concordam, entretanto, então ainda há alguma incerteza.

Mas nesta fase parece que o maior desafio será nas ruas.

Não está claro se os sindicatos podem reunir pessoas suficientes, irritadas não apenas com a reforma previdenciária, mas também com questões como a crise do custo de vida, para inviabilizar os planos de Macron.

PROTESTOS

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A reforma da previdência na França, onde o direito de se aposentar com pensão completa aos 62 anos é profundamente valorizado, é sempre uma questão altamente delicada e ainda mais agora com o aumento do descontentamento social sobre o custo de vida.

Com atualmente uma das idades de aposentadoria mais baixas do mundo industrializado, a França gasta mais do que a maioria dos outros países em pensões com quase 14% da produção econômica, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

Mas as pesquisas mostram que a reforma previdenciária é impopular.

Apenas 27% dos eleitores concordam com o aumento da idade de aposentadoria --a maioria dos quais defende os 64 anos e não aos 65 --mostrou uma pesquisa da Elabe para a BFM TV na semana passada. Cerca de 47% não querem mudança na idade de aposentadoria e 25% querem que a aposentadoria seja mais cedo do que agora.

Macron teve que colocar sua primeira proposta de reforma previdenciária no gelo em 2020, enquanto o governo corria para conter o surto de Covid-19 e salvar a economia.

Agora, embora a greve recente tenha sido limitada a setores específicos, como refinarias e companhias aéreas, a indignação com a reforma previdenciária pode facilmente desencadear protestos mais amplos.

Mas o porta-voz do governo, Olivier Veran, disse: "Não estamos reformando as pensões para sermos populares, mas para sermos responsáveis. Iremos até o fim porque é a única maneira pela qual nosso modelo social pode sobreviver".

Reportagem de Elizabeth Pineau, Leigh Thomas, Caroline Pailliez; escrito por Ingrid Melander, edição por William Maclean

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