Presidente da Comissão Europeia: UE 'não permitirá' que Polônia coloque seus valores 'em risco'

A União Europeia (UE) está em desacordo com a Polônia sobre a decisão de Varsóvia de introduzir alterações no sistema judicial do país que dão mais poderes ao governo sobre os tribunais

Ursula von der Lyen, presidente da Comissão Europeia
Ursula von der Lyen, presidente da Comissão Europeia (Foto: Francois Lenoir / Reuters)


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Sputnik - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse nesta terça-feira (19) que Bruxelas "não permitirá" que a Polônia coloque os valores da UE "em risco".

Falando perante os legisladores em Estrasburgo, von der Leyen afirmou que a decisão recente do Tribunal Constitucional da Polônia representa uma ameaça para os princípios fundamentais do bloco.

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"O primado do direito é a cola que mantém nossa união", declarou.

A declaração de von der Leyen se segue a uma carta do primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, enviada aos líderes da UE e em que ele tentou ganhar seu apoio para a Polônia em meio ao confronto contínuo com Bruxelas.

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O premiê disse que Varsóvia age em prol dos interesses de todos os Estados-membros do bloco.

"Devemos estar preocupados com a transformação gradual da União em uma entidade que deixaria de ser uma aliança de Estados soberanos, iguais e livres e em vez disso viraria um único organismo gerenciado centralmente, dirigido por instituições privadas do controle democrático pelos cidadãos dos países europeus", escreveu Morawiecki.

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O primeiro-ministro da Polônia adicionou que Varsóvia não cederá a "qualquer chantagem".

Reforma judiciária e decisão recente do Tribunal Constitucional

O desentendimento entre Bruxelas e Varsóvia começou após a Polônia ter decidido reformar seu sistema judicial. O partido governista polonês Lei e Justiça afirmou que as mudanças eram necessárias porque o sistema antigo sofria de corrupção e mentalidade da era comunista.

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Entre as principais alterações estão:

  • Redução da idade de aposentadoria de juízes, ao mesmo tempo permitindo que o presidente conceda uma derrogação de cinco anos a quem ele considere merecedor. Esta alteração forçou cerca de 80 juízes superiores polacos a se aposentarem mais cedo que o previsto;
  • Introdução de medidas disciplinares para os juízes, com as autoridades permitindo que os juízes sejam sancionados e investigados por suas sentenças. Os processos disciplinares serão realizados por juízes nomeados pelo parlamento;
  • O parlamento ganha a possibilidade de escolher os juízes para o Conselho Nacional do Poder Judicial, que é a organização que nomeia os juízes. Anteriormente, os indivíduos no Conselho Nacional do Poder Judicial eram nomeados por colegas juízes.

A União Europeia criticou duramente as reformas, afirmando que elas violam as normas democráticas do bloco, dado que minam a independência dos tribunais e criam a possibilidade de interferência política em sua atuação.

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