“Preparem-se para a guerra” (global, quiçá nuclear)

A grande mídia ocidental vem sistematicamente sonegando de seu público qualquer informação ou análise a respeito dos riscos, reais e crescentes, de guerra global, algo que poderá facilmente escalar para uma guerra nuclear devastadora do planeta; George Friedman, fundador e presidente da STRATFOR, a maior dentre as empresas de consultoria dos EUA voltadas à prospecção e levantamento de tendências (inteligência) da geopolítica mundial, vem em entrevista divulgar a público aquilo que, há muito tempo, empresas vêm informando a seus seletos (e poderosos) clientes

A grande mídia ocidental vem sistematicamente sonegando de seu público qualquer informação ou análise a respeito dos riscos, reais e crescentes, de guerra global, algo que poderá facilmente escalar para uma guerra nuclear devastadora do planeta; George Friedman, fundador e presidente da STRATFOR, a maior dentre as empresas de consultoria dos EUA voltadas à prospecção e levantamento de tendências (inteligência) da geopolítica mundial, vem em entrevista divulgar a público aquilo que, há muito tempo, empresas vêm informando a seus seletos (e poderosos) clientes
A grande mídia ocidental vem sistematicamente sonegando de seu público qualquer informação ou análise a respeito dos riscos, reais e crescentes, de guerra global, algo que poderá facilmente escalar para uma guerra nuclear devastadora do planeta; George Friedman, fundador e presidente da STRATFOR, a maior dentre as empresas de consultoria dos EUA voltadas à prospecção e levantamento de tendências (inteligência) da geopolítica mundial, vem em entrevista divulgar a público aquilo que, há muito tempo, empresas vêm informando a seus seletos (e poderosos) clientes (Foto: Gisele Federicce)


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

Publicado no Business Insider

Tradução comentada por Ruben Bauer Naveira

Introdução ao artigo, pelo tradutor: a grande mídia ocidental vem sistematicamente sonegando de seu público qualquer informação ou análise a respeito dos riscos, reais e crescentes, de guerra global, algo que poderá facilmente escalar para uma guerra nuclear devastadora do planeta. O motivo, ainda que injustificável, é entendível: as populações do Ocidente precisam ser mantidas ignorantes quanto ao fato de que os alimentadores desse risco são justamente os governos dos seus países. Não obstante, o risco está se tornando tão evidente que começam a espocar aqui e ali as primeiras matérias a respeito. A STRATFOR é maior dentre as empresas de consultoria dos Estados Unidos voltadas à prospecção e levantamento de tendências (inteligência) da geopolítica mundial, e George Friedman, seu fundador e presidente por vinte anos, veio nessa entrevista divulgar a público (ainda que parcialmente, é óbvio) aquilo que, há muito tempo, empresas como a STRATFOR vêm informando a seus seletos (e poderosos) clientes por meio de seus relatórios reservados, contratados a peso de ouro.

continua após o anúncio

George Friedman, fundador da STRATFOR: “Preparem-se para a guerra”

Felizmente, a guerra entre países é uma ocorrência rara nos dias atuais.

continua após o anúncio

Já a guerra de grupos subnacionais contra governos acontece com frequência, como vem atualmente ocorrendo na Síria, no Leste da Ucrânia [N. do T.: como seria de se esperar, o redator da matéria convenientemente não vê a Ucrânia inteira como vítima desse processo] e em inúmeros outros lugares.

Seria preciso retornar à invasão, pelos Estados Unidos, do Iraque de Saddam Hussein em 2003, ou ao conflito entre a Eritréia e a Etiópia ao final da década de 1990, para exemplos de duas nações lutando uma guerra terrestre em escala total uma contra a outra.

continua após o anúncio

As duas guerras mundiais foram a prova catastrófica da instabilidade inerente de um sistema internacional que levava a conflitos frequentes entre nações e que considerava a guerra como uma opção legítima de política externa, ao invés de um último recurso em absoluto.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a maior parte dos sistemas políticos e legais mundiais foi construída para evitar que os países fossem à guerra uns contra os outros – com um evidente e impressionante recorde de sucesso [N. do T.: “sucesso”, só se for para os países ocidentais que não mais padeceram guerras em seus territórios desde então, algo que obviamente não se aplicou a um sem-número de países hoje eufemisticamente denominados como “em desenvolvimento”].

continua após o anúncio

Mas, poderia isso mudar? No mês passado, Business Insider esteve com George Friedman, fundador da Geopolitical Futures, o único lugar onde é possível ler o último trabalho original de Friedman. Friedman é também o autor de “Os Próximos 100 Anos” bem como fundador da STRATFOR, a influente firma de previsões geopolíticas.

Ele alertou que a guerra destruidora entre países já foi uma característica recorrente da política global, e disse que poderia haver um ressurgimento disso.

continua após o anúncio

Friedman assinalou que houve períodos anteriores a guerras em que os observadores internacionais acabaram por se iludir em acreditar que os países não iriam mais à guerra.

"Entre 1815 e 1871 não houve nenhuma guerra substancial entre países na Europa”, disse Friedman. “Aí veio a Primeira Guerra Mundial, uma tremenda”.

continua após o anúncio

Friedman alertou que, na era moderna, todos os períodos de paz foram obtidos de forma forçadamente calculista. “Jamais ocorreu um século em que não tivesse havido alguma guerra sistêmica – por guerra sistêmica, entenda-se um evento em que todo o sistema entra em convulsão”, prosseguiu Fiedman, citando a Guerra dos Sete Anos, as guerras napoleônicas e as duas guerras mundiais. “Você vai querer apostar que este século vai ser o único que não vai ter uma guerra sistêmica? Eu aposto contra você”.

A análise de Friedman assume que qualquer sistema internacional, seja a aliança de forças conservadoras na Europa que manteve a paz após as guerras napoleônicas ou a ordem mundial liderada pelos Estados Unidos a partir do fim da Guerra Fria [N. do T.: para bom entendedor, meia palavra basta...] contém, inerentemente, vulnerabilidades fatais. No seu modo de pensar, o atual[N. do T.: de novo!] sistema internacional contém as sementes da sua própria destruição.

continua após o anúncio

No mínimo, a ordem mundial vigente leva a crises que o próprio sistema é incapaz de resolver [N. do T.: isso é eufemismo para “guerra à vista”].

Friedman acredita que o declínio de certas potências globais poderia justamente criar uma crise dessa natureza.

“Se você tomar o declínio de países como Alemanha, China e Rússia [N. do T.: convenientemente, não é incluído nessa lista o próprio país], que são substituídos por outros, é quando eclodem as guerras sistêmicas”, explica Friedman. “É quando tudo se torna perigoso, porque eles ainda não alcançaram um equilíbrio. Assim, a Alemanha foi unificada em 1871, e em seguida foi o inferno. O Japão ascendeu no início do século vinte, e então veio aquele caos. Enfim, nós estamos agora diante de mais uma virada sistêmica. Preparem-se para a guerra”.

Segue abaixo a íntegra da resposta de Friedman (que foi editada em função de tamanho e de clareza) quando perguntado acerca da possibilidade de um retorno da guerra entre nações:

Business Insider: Nos dias de hoje é relativamente raro que nações vão à guerra uma contra a outra. Você vê isso mudando? Você vê a guerra entre países fazendo um regresso?

George Friedman: Entre 1815 e 1871 não houve nenhuma guerra substancial entre países na Europa. Aí veio a Primeira Guerra Mundial, uma tremenda.

Eu vou lhe fornecer uma outra estatística. Jamais ocorreu um século em que não tivesse havido alguma guerra sistêmica – por guerra sistêmica, entenda-se um evento em que todo o sistema entra em convulsão. Da Guerra dos Sete Anos na Europa às guerras napoleônicas no século dezenove às duas guerras mundiais, todo século teve a sua.

Você vai querer apostar que este século vai ser o único que não vai ter uma guerra sistêmica? Eu aposto contra você…

Se você tomar o declínio de países como Alemanha, China e Rússia, que são substituídos por outros, é quando eclodem as guerras sistêmicas. É quando tudo se torna perigoso, porque eles ainda não alcançaram um equilíbrio. Assim, a Alemanha foi unificada em 1871, e em seguida foi o inferno. O Japão ascendeu no início do século vinte, e então veio aquele caos. Enfim, nós estamos agora diante de mais uma virada sistêmica. Preparem-se para a guerra.

Business Insider: Alguma previsão sobre aonde essa guerra poderia estourar?

George Friedman: Bem, as mais prováveis nações emergentes são o Japão, a Turquia e a Polônia. Então, eu mencionaria Europa Oriental [N. do. T.: eufemismo para guerra dos Estados Unidos contra a Rússia a partir da Polônia], o Oriente Médio [N. do. T.: eufemismo para guerra dos Estados Unidos contra a Rússia a partir da Turquia] e uma guerra naval pelo Japão [N. do T.: eufemismo para guerra dos Estados Unidos contra a China a partir do Japão], com os Estados Unidos tirando proveito da situação para agir como melhor lhes aprouver [N. do T.: não há limites para o cinismo].

Mas, toda vez que novas potências emergem elas têm que encontrar o seu equilíbrio [N. do T.: desde que não haja uma guerra nuclear, porque aí não sobra nenhuma. Por razões óbvias, o entrevistado não poderia falar sobre isso e, se falasse, mentiria]. Novas potências estão emergindo, velhas potências estão declinando. Não é esse processo o que é perigoso, é a atitude dos emergentes que é perigosa [N. do T.: só a dos emergentes? E não a atitude do principal dentre os decadentes? Bem, o entrevistado e seu público são americanos].

*****

Conclusão do tradutor: Empresas como a STRATFOR obtêm seus lucros a partir de informações sensíveis desse tipo. Por que razão então estaria sendo tornada pública uma informação tão valiosa como o risco de guerra global iminente? Pode-se supor que, para o público que compra (caro) os relatórios reservados de empresas como a STRATFOR, ou seja, para a elite americana (o chamado “um por cento”), essa informação já não represente mais novidade nenhuma. Uma vez que a guerra global virá mais cedo ou mais tarde (a esse respeito, ver este outro artigo), George Friedman entendeu que já era hora de anunciá-la para um universo um pouco maior, ainda que focado (Business Insider é uma publicação voltada a investidores em mercados de risco). E ninguém com mais credibilidade e respeitabilidade para fazer esse anúncio do que Friedman, fundador da STRATFOR e seu presidente por vinte anos – naturalmente que ele tomou os devidos cuidados de transferir a responsabilidade pela hecatombe para os inimigos (Rússia, China) e para os aliados candidatos ao papel de “buchas-de-canhão” (Turquia, Polônia, Japão).

Os relatórios reservados que, há muito mais tempo, foram lidos pelas elites do “um por cento” certamente continham muito mais informação. E, certamente, abordaram de forma muito mais franca e profunda a perspectiva da guerra vir a se tornar nuclear e as consequências disso (algo que, convenhamos, Friedman não teria como abordar de público, sob pena de espalhar o pânico).

Fato é que já se constituiu um crescente e lucrativo mercado de nicho de construção de abrigos atômicos de luxo, em regiões remotas de países como Argentina ou Canadá. Também é fato que a indústria farmacêutica começa a produzir medicamentos de ponta para tratar os efeitos da exposição à radioatividade. Alô, comandantes das forças armadas brasileiras, para ONDE vocês acham que essa gente vai se mudar, depois que o país deles tiver sido reduzido a cinzas?

É claro que é horrendo e aterrorizante falar sobre o fim do mundo, assim peço desculpas por fazê-lo. Só que não há outra alternativa, a não ser aquela do avestruz.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247