Premiê turco acusa oposição pelos prostestos

Primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan acusou o principal partido secular de oposição de estimular uma onda de protestos contra o governo, ao mesmo tempo que dezenas de milhares de manifestantes se reagrupavam em Istambul e Ancara; na manhã deste domingo, comerciantes e trabalhadores municipais começaram a limpar as ruas de Istambul e Ancara, depois dos protestos mais violentos contra o governo turco em anos

Premiê turco acusa oposição pelos prostestos
Premiê turco acusa oposição pelos prostestos (Foto: OSMAN ORSAL)


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Por Jonathon Burch e Parisa Hafezi

ISTAMBUL/ANCARA, 2 Jun (Reuters) - O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, acusou neste domingo o principal partido secular de oposição de estimular uma onda de protestos contra o governo, ao mesmo tempo que dezenas de milhares de manifestantes se reagrupavam em Istambul e Ancara.

Em Ancara, a polícia usou gás lacrimogêneo contra os manifestantes, mas os confrontos foram relativamente menos intensos se comparados com o ocorrido nas principais cidades turcas nos últimos dias.

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Chamando os manifestantes de "alguns saqueadores", Erdogan afirmou que ele seguiria com o plano de obras na Praça Taskim, em Istambul, projeto que provocou as manifestações que se transformaram em uma demonstração mais ampla contra seu partido de raízes islâmicas Justiça e Desenvolvimento.

Erdogan apontou o Partido Popular Republicano - criado em 1924 por Mustafa Kemal Ataturk, que fundou o Estado secular moderno turco - como responsável pelo que descreveu como uma disputa ideológica.

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"Nós achamos que o principal partido de oposição, que está fazendo chamados à resistência em cada rua, está provocando os protestos", disse Erdogan na TV turca.

Os protestos mais violentos contra o governo turco em anos começaram quando árvores foram cortadas na Praça Taksim, como parte do plano do governo para construir uma nova mesquita e a réplica de uma fortificação otomana.

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"Essa reação não é mais contra o corte de doze árvores. Isso é baseado em ideologia", afirmou Erdogan, cuja visão conservadora de nação irrita muitos turcos liberais.

Sobre a planejada mesquita, ele acrescentou: "Obviamente eu não vou pedir permissão ao Partido Popular ou a alguns saqueadores".

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Dezenas de milhares se reuniram neste domingo na Praça Taksim, onde ocorreram dois dias de confrontos entre manifestantes e a polícia, que contou com veículos blindados e helicópteros.

O clima neste domingo foi mais festivo. Alguns pediam a renúncia de Erdogan, outros cantavam e dançavam. Havia poucos policiais visíveis no local.

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Em Ancara, no entanto, a polícia usou gás lacrimogêneo depois de alguns milhares de manifestantes gritarem contra o govero e bloquearem o trânsito.

Neste domingo, a chuva inicialmente pareceu afastar as pessoas da Taskim Square, mas os manifestantes foram se aglomerando.

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"Vamos ficar aqui até o fim", afirmou Akin, que permaneceu na praça nos últimos quatro dias. "Não vamos embora. Estamos cansados desse governo opressor nos colocando constantemente sob pressão", disse ele.

Houve mais de 90 manifestações separadas ao redor do país na sexta-feira e no sábado, segundo autoridades. Mais de mil pessoas ficaram feridas em Istambul, e centenas em Ancara, de acordo com médicos.

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A agressividade da polícia deixou os turcos e os turistas chocados. Organizações internacionais de direitos humanos protestaram contra a ação.

(Reportagem adicional de Can Sezer em Istambul, Humeyra Pamuk e Parisa Hafezi em Ancara)

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