Premiê húngaro tenta justificar declaração racista e xenófoba

"Não é sobre racismo, mas sobre diferenças culturais”, tentou justificar o premiê Vikton Orbán. Conselheira descreveu o discurso como “puramente nazi” em sua carta de demissão

Premiê da Hungria, Viktor Orbán
Premiê da Hungria, Viktor Orbán (Foto: REUTERS/Bernadett Szabo)


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Letícia Fonseca-Sourander, da RFI - O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defendeu nesta quinta-feira (28) sua polêmica declaração feita no último final de semana quando criticou “a mistura de raças” na Europa, exaltando “uma raça húngara não misturada.” O líder ultranacionalista do Fidezs, que está em seu quinto mandato e no poder desde 2010, é um ferrenho defensor das políticas anti-imigração da União Europeia.

O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, defendeu nesta quinta-feira (28) sua polêmica declaração feita no último final de semana quando criticou “a mistura de raças” na Europa, exaltando “uma raça húngara não misturada.” O líder ultranacionalista do Fidezs, que está em seu quinto mandato e no poder desde 2010, é um ferrenho defensor das políticas anti-imigração da União Europeia.

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Em visita oficial à Viena, onde se encontrou com o chanceler austríaco, Karl Nehammer, para uma reunião bilateral sobre imigração e as consequências da guerra na Ucrânia, o premiê autocrata afirmou que sua declaração foi sobre uma questão cultural e não racial. “Acontece que às vezes sou ambíguo. Esta é uma posição civilizada, estamos orgulhosos do que a Hungria conseguiu na luta contra o racismo. Não é sobre racismo, mas sobre diferenças culturais”, justificou.

O encontro dos dois líderes da Europa Central em Viena foi marcado pela controvérsia de Orbán. O chanceler austríaco, Karl Nehammer, fez questão de deixar claro que não concorda com o colega húngaro. “Nós, na Áustria, rejeitamos, condenamos de maneira enérgica, qualquer forma de banalização ou relativização do racismo, ou mesmo do antissemitismo.”

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Em resposta, Orbán disse estar orgulhoso da política húngara de “tolerância zero” com o preconceito, apesar do seu governo receber críticas há anos por agir na direção contrária. Contraditoriamente, durante a entrevista coletiva conjunta, Viktor Orbán afirmou: “sou o único político da União Europeia que defende uma política abertamente anti-imigração. Não quero que a Hungria se torne um país de imigrantes e não quero que a imigração se torne mais forte na Hungria.”

O mais problemático da UE

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O premiê húngaro é considerado o dirigente mais problemático do bloco europeu. Nos últimos anos, Bruxelas tem feito duras críticas a Viktor Orbán pelos múltiplos ataques ao Estado de direito na Hungria promovidos pelo seu governo.

Esta semana, o vice-presidente da Comissão Europeia, Frans Timmermans, escreveu na sua conta do Twitter: “Somos todos diferentes, nossas cores de pele são diferentes, nossos idiomas, culturas, crenças. E ainda assim, nós somos parte da mesma raça, a raça humana. Racismo é uma invenção política envenenada. Não há espaço para isso na Europa onde nossa força vem da diversidade.”

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Discurso nazi de Orbán

Uma das principais conselheiras do primeiro-ministro húngaro se demitiu na quarta-feira (27) na sequência do discurso em que Viktor Orbán se manifestou a favor da “raça pura” e contra a mistura de europeus com não europeus.

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Zsuzsa Hegedüs, que fazia parte do círculo mais próximo do premiê e amiga pessoal de Orbán há 20 anos, descreveu o discurso como “um texto puramente nazi.” “Não sei como não percebeu que o discurso que fez é uma diatribe puramente nazi digna de Joseph Goebbels”, o ministro da Propaganda de Adolph Hitler, escreveu a ex-conselheira em sua carta de demissão.

As declarações de Viktor Orbán, proferidas no sábado passado diante uma grande comunidade húngara na Romênia, também foram criticadas pelo Comitê Internacional de Auschwitz. O presidente da organização, Christoph Heubner, classificou o discurso como “estúpido e perigoso” e acrescentou fazer lembrar aos sobreviventes do Holocausto “os tempos sombrios da sua própria exclusão e perseguição.”

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