Por que não devemos esperar muito da reunião do G-20
A próxima reunião do G-20, de acordo com Angela Merkel, será dominada pelas pautas do aquecimento global, comércio internacional e imigração; no entanto, a postura combativa dos EUA em relação a esses tópicos representa um real bloqueio ao avanço do projeto europeu; tendo em vista tais circunstâncias, a conferência servirá mais para tratar de assuntos menores entre as potências.
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Por Leonardo Sobreira
A agenda da próxima reunião do G-20, em Hamburgo na Alemanha, que acontece nesta sexta-feira e sábado será dominada, de acordo com a chanceler alemã Angela Merkel, pelas questões do aquecimento global, livre comércio e administração da imigração.
A questão, no entanto, é o quanto desta agenda progressista será priorizada, já que, historicamente, as "negociações sérias" são realizadas fora do palco principal da conferência e em reuniões informais.
A Casa Branca e o Kremlin, por exemplo, já confirmaram que seus respectivos líderes realizarão discussões bilaterais visando diminuir a tensão entre os dois países, tendo em vista a guerra na Síria e as sanções contra Moscou.
Mesmo assim, a União Europeia, ao apresentar esta agenda, demonstra postura combativa em relação à tendência da política externa americana. Do outro lado, a condição de Donald Trump, que tem demonstrado visões radicalmente opostas ao tipo de cooperação que defende o bloco, é crítica, já que sua visão de mundo não ressoa na comunidade internacional.
Dificilmente o presidente americano estará em posição de liderar as discussões. A tendência é de que, apesar de divisões internas, o bloco europeu aja de maneira unida e "fale com uma voz", como declarou Donald Tusk, ex-primeiro-ministro Polonês e presidente do Conselho Europeu, defendendo o sistema de regras internacional que Trump e sua equipe tem questionado.
No entanto, não há como se imaginar uma situação onde o presidente americano conceda às demandas europeias facilmente. Domesticamente, as políticas dos republicanos só foram contidas através da ação das cortes judiciais do país. Internacionalmente, não existem freios e contrapesos semelhantes. Uma comunidade internacional unida em torno de pautas pró-meio ambiente, livre comércio e imigração é necessária, mas sua efetividade no avanço destas pautas é colocada em dúvida pela presença dos EUA de Trump.
A própria lógica de sua política externa impede a cooperação legítima. Como declarou Nikki Haley, embaixadora americana nas Nações Unidas, a "política de caos" que os EUA implementam tem em vista amedrontar e confundir os países aliados e não aliados aos EUA, fazendo com que esses países, por estarem menos certos do apoio que receberão, se aliem às políticas americanas.
Em suma, de um lado temos um bloco claro na sua agenda e unido, porém sem força suficiente para bloquear as ações de um ator combativo. Do outro, temos o ator combativo, que possui força, mas que dificilmente achará espaço para conciliação.
Tendo estas circunstâncias em vista, o G-20 servirá mais como um palco para que negociações bilaterais tratem de assuntos como a guerra na Síria e as sanções contra a Rússia. A solução para os problemas com os quais os europeus se preocupam requer, necessariamente, que os EUA atuem em modo cooperativo.
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