Pequim declara apoio a adesão da União Africana ao G20, denuncia "armadilhas de narrativas"

Chancelaria chinesa também rejeitou acusações de que estaria amarrando países africanos a dívidas insustentáveis, denunciando as "armadilhas de narrativas" postas por Washington

Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi
Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi (Foto: Jason Lee/Reuters)


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Leonardo Sobreira, de Pequim (247) - O chanceler chinês, Wang Yi, afirmou que Pequim irá apoiar a proposta de adesão da União Africana ao G20, um mês após o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, fazer o mesmo. 

Os laços entre a China e a África são uma "força pilar" na defesa dos interesses dos países em desenvolvimento, disse Wang Yi, em uma reunião com seus colegas africanos, na quinta-feira, 18. O ministro também saudou o apoio africano ao princípio de Uma Só China, que, segundo Pequim, foi violado gravemente por Washington em razão da visita da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, a Taiwan, no início do mês. 

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"Em face às variadas formas de práticas hegemônicas e de intimidação, a China e a África estiveram um ao lado do outro ombro a ombro", declarou o chanceler chinês.

Wang também afirmou que a África rejeita a tentativa de Washington de tornar o continente palco de mais um conflito geopolítico, ecoando as declarações emitidas pela chancelaria sul-africana durante a visita do secretário de Estado americano, Antony Blinken, ao país. Na ocasião, a ministra Naledi Pandor criticou tentativas ocidentais de intimidar o continente a tomar partido na crise ucraniana. 

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"O que a África deseja é um ambiente de cooperação favorável e amigável, não a mentalidade soma-zero da Guerra Fria. O que a África gostaria de receber é cooperação mutualmente benéfica pelo bem-estar das pessoas, não rivalidades entre dois grandes países por ganhos geopolíticos", disse Wang Yi, sublinhando que a China continuará a fornecer ajuda militar, econômica, alimentar e anti-pandêmica ao continente. 

O chanceler chinês também prometeu promover a Iniciativa do Cinturão e Rota em termos de "cooperação de qualidade".

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Armadilhas

Também na quinta-feira, o porta-voz da chancelaria Wang Wenbin rejeitou as acusações recentes do secretário Blinken de que a China estaria gerando dívidas insustentáveis a países africanos. 

O porta-voz disse: "Quando alguns políticos e mídias nos EUA e outros países ocidentais incitam a chamada armadilha da dívida chinesa..., seu real objetivo é criar uma armadilha de narrativa para semear discórdia entre a China e outros países em desenvolvimento, impedir a cooperação e interromper o crescimento de países em desenvolvimento". 

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Ele ressaltou que "os países em desenvolvimento e as pessoas com entendimento do restante da comunidade internacional não cairão nisso". 

Blinken sustentou que seu tour por três países africanos, onde anunciou novos investimentos de Washington, não foi sobre a competição com a China, enfatizando a autonomia do continente. Mas analistas avaliaram que a viagem, além de contrabalancear Pequim, também teve como objetivo tentar contrariar a influência de Moscou e buscar apoio africano à posição de Washington sobre crise ucraniana, depois que o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, visitou a região no mês passado.

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Wang Wenbin afirmou ainda que os países em desenvolvimento tomam empréstimos principalmente de credores comerciais e multilaterais. 

De acordo com estatísticas sobre dívida internacional do Banco Mundial, até o final de 2020, os credores comerciais e multilaterais representavam 40% e 34%, respectivamente, da dívida externa pública de 82 países de baixa e média renda. Credores oficiais bilaterais assumiram 26% e a China, menos de 10%, disse Wang Wenbin.

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Ele destacou que, nos últimos anos, os países em desenvolvimento adquiriram suas novas dívidas principalmente de credores comerciais ocidentais e instituições multilaterais. De acordo com estatísticas do Banco Mundial, entre 2015 e 2020, as dívidas oficiais comerciais, multilaterais e bilaterais representaram 42%, 35% e 23%, respectivamente, da nova dívida externa pública de US$ 475,2 bilhões dos países de baixa e média renda. 

A maioria das dívidas comerciais, ou 39% do total de novas dívidas, são financiadas por títulos soberanos no mercado financeiro internacional. Uma pesquisa da Eurodad sobre 31 países endividados importantes descobriu que 95% dos títulos soberanos dos países eram detidos por instituições financeiras ocidentais, observou Wang Wenbin. (Com informações do SCMP e Diário do Povo). 

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