Pepe Escobar explica o ataque da administração Trump a Huawei

Para ajudar a compreender o que está por trás do banimento da gigante chinesa Huawei do mercado norte-americano por parte da administração Trump e do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, o jornalista Pepe Escobar conversou com Leonardo Attuch nesta terça-feira (21)

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247 - Em meio a intensa guerra comercial entre China e EUA com elevação de tarifas de ambos os lados, na semana passada o Departamento de Comércio dos Estados Unidos baniu a Huawei do mercado norte-americano sob a alegação de que a gigante chinesa é uma ameaça à segurança nacional. O estrategista da campanha de Donald Trump à presidência em 2016 e ex-assessor do republicano na Casa Branca, Steve Bannon, em entrevista nesta quarta-feira (22) ao South China Morning Post, de Hong Kong, disse que "é dez vezes mais importante isolar totalmente a Huawei dos mercados ocidentais do que chegar a um acordo comercial com a China".

Para ajudar a compreender o que está por trás desse movimento norte-americano contra a Huawei, Leonardo Attuch conversou nesta terça-feira (21) com o jornalista Pepe Escobar, que explicou que a Huawei é a principal provedora de equipamentos de telecomunicação no mundo, estando à frente, inclusive, da Ericsson e das gigantes norte-americanas. E, recentemente, também passou a atuar no mercado de smartphones. "Hoje, são os segundos maiores do mundo, logo atrás da Samsumg, e devem passar a Samsumg em um ano ou dois anos no máximo", disse Escobar.

O jornalista descreve a Huawei como a rainha da tecnologia em um tabuleiro de xadrez. "Não é o peão, é a rainha. Se você captura essa rainha, você pode desmontar o jogo inteiro." O motivo, explica Escobar, é "porque eles são os mais avançados no mundo em 5G, e tudo o que vai acontecer daqui para frente em termos de inteligência artificial, aplicações de robótica industrial, comunicação em tempo real pela net, vai ser por 5G, e a Huawei está na frente de todo mundo".

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Em visita a um dos laboratórios de ponta da Huawei, em ‎Shenzhen, em 2016, Pepe disse que teve exatamente a mesma impressão de quando esteve na Samsumg em 2000 e viu produtos que a empresa somente colocou no mercado a partir de 2007. "O que eu vi na Huawei, em Shenzhen, é o que vai chegar daqui a quatro, cinco anos no mercado. Como, por exemplo, um relógio 5G que você pode fazer tudo", conta.

"Eles têm um mini-Vale do Silício, entre Shenzhen e Dongguan, no sul da província de Guangdong, onde muitos dos melhores engenheiros estudaram em universidades americanas, tinham possibilidade de terem empregos absurdos no Vale do Silício, mas preferiram voltar para a China. E eles mesmos dizem, abertamente, que 'o futuro é aqui'", explica Escobar. A razão, conta o jornalista, é "porque o investimento deles em pesquisa e desenvolvimento é uma coisa de dezenas de bilhões de dólares. É ao nível da Google, mas muito mais avançado porque são aplicações práticas. A Google se concentrou em dominar o espectro na internet".

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Se o governo Trump mantiver o banimento, a Huawei pode tirar da cartola um plano B, que poderá virar plano A. Pepe Escobar explica: "Eles tinham um plano B, que agora virou o plano A, que começa pela internet. É o sistema operacional deles. Ou seja, a Google, a curto ou a médio prazo, pode até perder o monopólio que ela tem do Android, que é um sistema muito bom, mas a Huawei tem um Android 'plus'. O sistema operacional da Huawei, que eles estavam guardando só para os telefones deles, estará nos smartphones deles e vão começar a ser vendidos para o mundo inteiro".

"Vai ter muita gente comprando produtos Huawei como protesto político contra a guerra americana e contra essa demência imperial. Isso a gente vai ver na África, no Oriente Médio, na Ásia inteira, na América Latina. E não só pela qualidade do produto, que é melhor e mais barato do que Apple. Ninguém mais compra iPhone na Ásia. A margem de perda da Apple na Ásia é brutal. E não é só para a Huawei, eles estão perdendo para a Xiaomi, chinesa, para a Oppo, chinesa também, muito mais do que para a Samsumg, que já estavam perdendo há alguns anos", conta Pepe.

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