Parlamento francês reconhece Estado palestino

Parlamentares franceses exortaram o governo nesta terça-feira a reconhecer o Estado palestino, um gesto simbólico que não irá afetar de imediato a postura da França, mas que demonstra a crescente impaciência europeia com a estagnação do processo de paz

Parlamentares aplaudem após a divulgação do resultado da votação pelo reconhecimento do Estado palestino,  no Parlamento, em Paris, na França, nesta terça-feira. 02/12/2014 REUTERS/Charles Platiau
Parlamentares aplaudem após a divulgação do resultado da votação pelo reconhecimento do Estado palestino, no Parlamento, em Paris, na França, nesta terça-feira. 02/12/2014 REUTERS/Charles Platiau (Foto: Gisele Federicce)


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Por John Irish

PARIS (Reuters) - Parlamentares franceses exortaram o governo nesta terça-feira a reconhecer o Estado palestino, um gesto simbólico que não irá afetar de imediato a postura da França, mas que demonstra a crescente impaciência europeia com a estagnação do processo de paz.

Embora a maioria dos países em desenvolvimento reconheça os territórios palestinos como um Estado, a maioria na nações ocidentais europeias ainda não o fez, apoiando a posição israelense e norte-americana de que um Estado palestino independente deveria emergir de negociações com Israel.

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Os países europeus vêm se mostrando frustrados com Israel, que desde o fracasso das últimas conversas patrocinadas pelos Estados Unidos, em abril, tem pressionado pela construção de assentamentos em territórios que os palestinos desejam para seu Estado.

A moção recebeu o apoio de 339 parlamentares e teve 151 votos contrários. A decisão ocorre depois de a Suécia se tornar o maior país europeu ocidental a reconhecer a Palestina. Os parlamentos de Espanha, Grã-Bretanha e Irlanda realizaram votações nas quais apoiaram resoluções de cumprimento não obrigatório em favor do reconhecimento.

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O texto, proposto pelos socialistas do governo e endossado por partidos de esquerda e alguns conservadores, pediu ao governo para "usar o reconhecimento de um Estado palestino com o objetivo de resolver o conflito definitivamente".

Nem o ministro das Relações Exteriores, Laurent Fabius, nem o primeiro-ministro, Manuel Valls, compareceram à votação no Parlamento. O governo declarou que não se aterá ao resultado.

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"Não queremos um reconhecimento simbólico que só levará a um Estado virtual", declarou o secretário de Estado francês dos Assuntos Europeus, Harlem Desir, a legisladores em reação à moção. "Queremos um Estado palestino que seja real, por isso queremos dar uma chance às negociações".

Os palestinos dizem que as negociações fracassaram e que não têm escolha além de buscar a independência unilateralmente. O premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou o voto francês como "um erro grave".

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Em 28 de novembro, Fabius declarou que o estatuto vigente é inaceitável e que a França iria reconhecer uma Palestina independente sem um acordo negociado se uma última iniciativa diplomática fracassasse.

Ele apoiou o prazo de dois anos para reiniciar e concluir as negociações e disse que o governo francês está trabalhando com a Grã-Bretanha e a Alemanha em um texto que poderia ser acelerado se uma resolução separada, escrita pelos palestinos, fosse apresentada.

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A votação em Paris aumentou a pressão política local para que a França seja mais ativa no tema. Uma pesquisa recente mostrou que mais de 60 por cento do povo francês é favorável a um Estado palestino.

A França tem as maiores populações judia e muçulmana da Europa, e os conflitos no Oriente Médio tendem a agravar as tensões entre as duas comunidades.

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Parlamentares franceses de direita criticaram a maioria socialista por apoiar o reconhecimento da Palestina como forma de conquistar votos dos muçulmanos que ficaram chocados com a lei do casamento gay, aprovada no ano passado, e com o aparente apoio do presidente francês, François Hollande, à recente intervenção de Israel em Gaza.

"Isso irá jogar combustível no fogo em uma região que certamente não precisa disso", afirmou o líder do partido UMP, Christian Jacob, no Parlamento.

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(Reportagem adicional de Alexandria Sage e de Ari Rabinovitch, em Jerusalém)

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