Parlamento francês estuda novo imposto para empresas que registram lucros bilionários

Companhias fornecedoras de energia, combustíveis e transporte marítimo têm lucrado com a crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia

Parlamento francês
Parlamento francês (Foto: Agência Brasil)


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RFI - O Parlamento francês decidiu analisar em tramitação acelerada um projeto de lei de criação de um imposto excepcional para empresas que têm registrado lucros exorbitantes em meio à crise energética, enquanto a população sofre com a escalada da inflação.

Os relatores do projeto visam três setores em particular: empresas fornecedoras de energia, combustíveis e transporte marítimo. São companhias que se beneficiaram da recuperação econômica pós-pandemia e agora têm lucrado com a crise energética desencadeada pela guerra na Ucrânia. 

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A petrolífera francesa TotalEnergies, por exemplo, teve um lucro líquido de € 5,7 bilhões no segundo trimestre do ano, quando o preço do combustível na bomba já estava nas alturas e muita gente se questionava se enchia o tanque do carro para ir trabalhar ou a geladeira. 

O ministro da Economia e Finanças, Bruno Le Maire, discorda da ideia de taxar as empresas do setor de energia. Ele alega que elas precisam ter reservas para reinvestir em projetos de transição para fontes renováveis. A questão é que essas gigantes também distribuem milhares de euros em dividendos a seus acionistas. 

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Desde que os preços do petróleo e do gás dispararam, o Reino Unido, a Itália e a Espanha adotaram um imposto extra de 25% sobre as empresas desse setor. O secretário-geral da ONU, António Guterres, chamou de "imoral" o lucro que essas companhias têm acumulado nas costas dos consumidores. Os franceses estão pagando a eletricidade sete vezes mais caro atualmente do que no início do ano. 

Para reduzir o impacto social da crise energética, o governo francês optou por outra estratégia. Decidiu subsidiar € 0,18 centavos no litro dos combustíveis e congelou temporariamente as tarifas do gás. Com isso, já gastou mais de € 20 bilhões em poucos meses, em uma política considerada onerosa para os cofres públicos e injusta socialmente, na medida que o desconto também beneficia quem pode pagar. Essa estratégia não é sustentável a longo prazo, principalmente porque os preços da energia vão continuar a subir com o embargo ao petróleo russo e à drástica redução das exportações de gás impostas por Moscou. 

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Esta semana, o presidente Emmanuel Macron quis preparar os franceses para tempos difíceis, "de grande mudança". Ele disse que a era da "abundância" e da "despreocupação" tinha chegado ao fim. Mas essa declaração teve péssima repercussão.

Macrou se referia à série de crises que a França e a Europa atravessam: as consequências da guerra na Ucrânia, a seca prolongada, que vai comprometer a próxima safra agrícola, encarecendo ainda mais os alimentos, e as medidas de combate à mudança climática, que os incêndios deste verão mostraram ser urgentes.

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Entretanto, ele foi apontado como um líder "desconectado" da realidade, lembrando aquela imagem de "presidente dos ricos", que retorna das férias num castelo no sul da França e avisa que a vida da população vai ficar muito pior.

O deputado comunista Fabien Roussel, que disputou a presidência, disse que é "inadmissível cobrar mais sacrifícios de pessoas que tentam viver dignamente com um salário". "Para a grande maioria, o problema não é a abundância, é a falta", afirmou o deputado. "Não é um descuido, é uma preocupação com a geladeira vazia", destacou Roussel. Nas redes sociais, internautas também criticaram Macron.

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O líder da central sindical de trabalhadores CGT, Philippe Martinez, disse que abundância "é a situação que o presidente desfruta, assim como seus amigos", muito distante da realidade de milhares de cidadãos.

O governo se recusa a abrir negociações de aumento de salários, e ainda pretende propor reformas para dificultar as condições de acesso ao seguro-desemprego e ampliar a idade mínima da aposentadoria dos atuais 62 anos para 64 ou 65 anos. 

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Dívida e cenário alarmista

A França tem uma dívida que chegou a 112% do PIB no mês de junho, equivalente a € 2,9 trilhões. O Estado gasta mais do que arrecada, com um déficit público de 5,5% do PIB. O presidente sabe que a era dos juros baixos acabou e precisa exercer maior controle sobre as contas públicas. Porém, cortar gastos em um cenário de provável recessão, de casa fria no inverno e ainda por cima ameaça nuclear da Rússia complica a margem de manobra de Macron. 

Muitos franceses têm reclamando de uma sensação de "fim do mundo". O risco de acidente nuclear na central ucraniana de Zaporíjia, ocupada pelas tropas russas, acrescenta tensão no dia a dia. Alguns políticos têm dado declarações alarmistas, dizendo que a atual crise é sem precedentes.

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Este momento grave e de incertezas não é bom para a economia. As pessoas precisam de confiança no futuro para continuar a trabalhar e a consumir. Esse foi um outro aspecto criticado na declaração do Macron. A imprensa inglesa disse que ele quis se proteger do balanço ruim que deve deixar para o sucessor.

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