Para Serra, entrada da Venezuela no Mercosul foi um golpe

A declaração do chanceler interino José Serra foi feita após um encontro entre Serra e o deputado venezuelano Luís Florido, presidente da Comissão Permanente de Relações Exteriores, Soberania e Integração da Assembleia Nacional da Venezuela; governo venezuelano, no entanto, considera que foi Serra que se tornou chanceler por meio de um golpe parlamentar ocorrido no Brasil, já denunciado por países vizinhos, pela grande maioria da imprensa internacional e por políticos de renome, como Bernie Sanders; além de praticamente romper relações com a Venezuela, o Itamaraty, sob Serra, foi acusado de tentar comprar o apoio do Uruguai para quebrar as regras do Mercosul

jose serra
jose serra (Foto: Leonardo Attuch)


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Do Opera Mundi O chanceler do governo interino de Michel Temer, José Serra, afirmou, durante pronunciamento à imprensa realizado nesta quarta-feira (17/08), que a Venezuela "entrou no Mercosul a partir de um golpe".

A declaração foi feita após um encontro entre Serra e o deputado venezuelano Luís Florido, presidente da Comissão Permanente de Relações Exteriores, Soberania e Integração da Assembleia Nacional da Venezuela; Carlos Vecchio, coordenador político do partido opositor Vontade Popular; e Lilian Tintori, esposa do opositor venezuelano Leopoldo López, condenado a 13 anos de prisão por incitação à violência que deixou mortos e feridos durante protestos antigoverno em 2014 pelo país.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, a entrada do governo venezuelano no bloco foi "um golpe" porque se deu graças à suspensão temporária do Paraguai, comandado na época por Federico Franco, único opositor no Mercosul à entrada de Caracas.

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Em 2012, Hugo Chávez, então presidente da Venezuela, solicitou a adesão ao bloco. O pedido foi aceito por Brasil, Argentina e Uruguai. O Congresso paraguaio, porém, bloqueava o pedido. Assim, quando a nação foi suspensa do bloco devido a um golpe parlamentar contra o presidente Fernando Lugo, os outros países-membros aprovaram a entrada venezuelana.

Serra voltou a afirmar que a Venezuela não cumpriu os pré-requisitos necessários para a adesão ao bloco – afirmação negada pela chancelaria venezuelana na última segunda-feira (15/08). “Foram dados quatro anos para que cumprisse e não cumpriu [os pré-requisitos de adesão]. A Venezuela não tem condições de assumir a Presidência pró-tempore. A Venezuela não vai assumir o Mercosul”, disse.

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Para o ministro brasileiro, outro fator que impediria a Venezuela de ocupar o cargo temporariamente seria seu governo, o qual classificou de “regime autoritário”.  

“A Venezuela é um regime autoritário. Tem presos políticos. A Venezuela está sem rumo neste momento. Nós reiteramos nossa preocupação com essa situação e desejamos ardentemente que seja realizado um referendo revogatório do presidente Nicolás Maduro. Todos os países devem pressionar a Venezuela a realizar o referendo o mais breve possível”, afirmou Serra.

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Defendendo que o mecanismo constitucional do referendo revogatório foi criado pelo governo de Hugo Chávez, Serra disse que "nós estamos, melhor, eles estão [os opositores de Maduro] lutando dentro das regras que o próprio chavismo estabeleceu".

"Desfeito esse governo autoritário e restaurada a democracia, a Venezuela pode contar com o Brasil para se reconstruir", disse ele.

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O Brasil, junto da Argentina e do Paraguai, não reconhece o país de Maduro à frente do Mercosul por acreditar que a nação passa por problemas econômicos e políticos, não cumprindo com os requisitos necessários para liderar.

Os três sugerem, assim, um governo coletivo comandado por um conselho de embaixadores até o fim de dezembro, entregando a Presidência do bloco à Argentina em 1º de janeiro.

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Apenas o Uruguai defende o direito de a Venezuela assumir, afirmando que "não há argumentos jurídicos" que impeçam a transferência da Presidência ao país e que “não está prevista em nenhum lugar uma Presidência coletiva”.

Incidente com o Uruguai

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Durante a coletiva desta quarta, Serra também comentou a situação de tensão com o Uruguai. O chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, havia dito que Serra teria tentado “comprar o voto do Uruguai” para que este se opusesse à transferência da Presidência do Mercosul à Venezuela.

Serra afirmou que Novoa lhe telefonou hoje para "esclarecer a questão". “Não há mais nenhum problema em nosso trabalho conjunto. Foi um mal entendido”, disse o ministro que, entretanto, não quis dar detalhes à imprensa do que foi dito durante a conversa.

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Opera Mundi tentou entrar em contato com a chancelaria uruguaia, mas devido ao horário de funcionamento da Embaixada do Uruguai em Brasília, não foi possível confirmar se o telefonema de Novoa para Serra foi de fato realizado.

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