Para Celso Amorim, único caminho para a paz na Ucrânia é o diálogo

"Qualquer ação militar é condenável, porque contraria a carta da ONU. Não há como defender", afirma o ex-ministro das Relações Exteriores do Brasil

(Foto: Ricardo Stuckert)


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Por Denise Assis, 247 - O ex-chanceler e embaixador com experiência de mais de 50 anos em relações internacionais, Celso Amorim, disse há pouco que o único caminho para o conflito deflagrado na Ucrânia é o diálogo. Segundo ele, não há alternativa fora da mesa de negociações.

Depois de inúmeras rodadas de conversas tentando demover o presidente da Rússia, Vladimir Putin, da invasão da Ucrânia, o presidente russo anunciou, na madrugada desta quinta-feira (24/2), o início de uma “operação militar” nas regiões separatistas da Ucrânia — Donetsk e Lugansk. 

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Agora, que o cenário é de guerra, a opinião do ex-chanceler é a de que a posição correta é: “ponto um, qualquer ação militar é condenável, porque contraria a carta da ONU. Não há como defender. Ponto dois, é que deveriam voltar às discussões e negociações rapidamente, para que seja encontrada uma solução por via pacífica. Ponto três, estas negociações têm que levar em conta obviamente os princípios do Direito Internacional, entre eles a integridade territorial dos estados, mas também têm que levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todos os envolvidos na região.”

Amorim está convencido de que “as lideranças envolvidas no conflito poderiam ter encontrado outro caminho que não o do ataque militar”, mas frisou que “uma ação unilateral não é uma ação de acordo com a doutrina brasileira de defesa das Nações Unidas”.

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Ele aponta, no entanto, para a raiz do problema, que no seu entender foi “a expansão da Otan para leste”. Porém, volta a ressaltar que “isto não justifica um ataque unilateral, sem a autorização da ONU. Nós sempre condenamos. Condenamos o que os Estados Unidos fizeram no Iraque, condenamos outras e não poderíamos deixar de condenar este”. 

Por volta das 00h15, no horário de Brasília, jornalistas baseados em Kiev, capital da Ucrânia, relatam explosões ao redor do Aeroporto Internacional de Kiev. 

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Em discurso, Putin disse que os conflitos entre a “Rússia e as forças ucranianas são inevitáveis e apenas uma questão de tempo”. "Tomei a decisão por uma operação militar", completou. 

O presidente russo também alertou que aqueles que "tentem interferir (na operação russa na Ucrânia) devem saber que a resposta da Rússia será imediata e levará a consequências que nunca conheceram".

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O Ministério da Infraestrutura da Ucrânia anunciou que o espaço aéreo do país ficará fechado "devido ao alto risco para a segurança".

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