OTAN responde com expansionismo à guerra contra a Rússia causada pela sua expansão, diz jornalista

A escritora Caitlin Johnstone critica a “solução” encontrada pelo ‘império ocidental’ de aumentar as tensões contra a Rússia, apontando que isso pode levar a uma guerra nuclear

(Foto: Reuters)


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O Império Expandirá a OTAN em Resposta à Guerra Causada pela Expansão da OTAN

Artigo de Caitlin Johnstone* originalmente publicado em seu site. Traduzido e adaptado por Rubens Turkienicz com exclusividade para o Brasil 247 

O Presidente Erdogan, da Turquia, retirou oficialmente a objeção de Ankara à adição da Finlândia e da Suécia como membros da OTAN; os três países assinaram um memorando trilateral numa reunião de cúpula da OTAN em Madri.

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A retirada da objeção de Erdogan, como reportada, foi obtida através de concessões de “natsec” [‘national security’ – segurança nacional] das outras duas nações, em grande parte orientadas para facilitar o conflito corrente entre a Turquia e as facções regionais curdas e isto remove o obstáculo final para que a Finlândia e a Suécia iniciem o processo para se tornarem membros da OTAN. A adição da Finlândia aumentará em mais do que o dobro o tamanho da fronteira direta da OTAN com a Rússia – o que é uma importante preocupação de segurança nacional para Moscou.

“A Suécia e a Finlândia agiram rapidamente para candidatar-se à OTAN após a invasão russa na Ucrânia, revertendo décadas de política de segurança e abrindo a porta para a nona expansão da aliança desde 1949”, segundo reporta a agência Axios.

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Assim, pois, o império ocidental expandirá novamente a OTAN em resposta à guerra que foi predominantemente causada pela expansão da OTAN. Brilhante.

Na mesma reunião de cúpula da OTAN, o presidente Joe Biden anunciou planos para aumentar a presença militar dos EUA na Europa, em resposta à guerra na Ucrânia.

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“Na sua conversa com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, Biden disse que os EUA aumentarão o número de destroyers da Marinha dos EUA aportados numa base naval em Rota, Espanha, de quatro para seis”, segundo informa Dave DeCamp do 'Antiwar'. “O presidente disse que este foi o primeiro de múltiplos anúncios que os EUA e a OTAN farão na reunião de cúpula sobre o aumento das suas forças [militares] na Europa – como passos que estão sendo feitos em resposta à invasão russa na Ucrânia.”

Esta notícia foi divulgada enquanto uma nova reportagem da CNN nos informa que o governo Biden não acredita que a Ucrânia tenha alguma possibilidade de ganhar esta guerra, porém não encorajará a realização de qualquer tipo de acordo negociado para terminar com o banho de sangue.

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A CNN informa:

“As autoridades da Casa Branca estão perdendo a confiança de que a Ucrânia algum dia será capaz de retomar todos os territórios perdidos para a Rússia nos quatro meses passados guerra, declararam autoridades dos EUA, mesmo com as armas mais pesadas e mais sofisticadas que os EUA e os seus aliados planejam enviar para lá”.

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“Os conselheiros do presidente Joe Biden começaram a debater internamente como e se o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky deveria mudar a sua definição de uma ‘vitória’ ucraniana – ajustando-a para a possibilidade de que o território do seu país tenha sido irreversivelmente diminuído. As autoridades estadunidenses enfatizaram à CNN que esta avaliação mais pessimista não significa que os EUA planeja pressionar a Ucrânia para fazer quaisquer concessões à Rússia para terminar a guerra”. 

Isto confirmaria o que eu e muitos outros estivemos dizendo desde a invasão russa: que esta guerra por procuração está sendo executada não com a intenção de salvar vidas ucranianas através de uma derrota rápida de Moscou, mas com a intenção de criar um atoleiro militar caro e fatigante para enfraquecer a Rússia no palco mundial.

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Isto é adicionalmente confirmado por uma nova reportagem do 'Politico' de que o primeiro-ministro britânico Boris Johnson desencorajou o presidente francês Macron de facilitar um acordo de paz negociado entre Moscou e Kiev – o que reforçaria uma reportagem anterior da mídia ucraniana de que Johnson, durante a sua visita à Kiev em abril desencorajou o presidente ucraniano Zelensky de fazer um acordo destes.

Estas revelações emergem depois que as autoridades ocidentais admitiram que a Ucrânia está inundada de agentes da CIA e operadores de forças especiais dos EUA e outros países da OTAN.

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“Como de praxe, parece que o governo [dos EUA] quer ter as coisas de ambas as maneiras: assegurar ao povo estadunidense que eles estão sendo 'contidos' e que não estão 'em guerra' com os russos – mas que estão fazendo de tudo, menos colocando algum soldado e a bandeira dos EUA dentro do Ucrânia”, escreve Kelley Beaucar Vlahos, do 'Responsible Statecraft' sobre esta declaração. “Pode ser que os russos não vejam a diferença e podem considerar esta notícia como mais uma evidência de que a guerra deles é mais contra Washington e a OTAN, do que com a Ucrânia.”

O império é guiado por tão pouca sabedoria nas suas escalações contra a Rússia, que o Congresso dos EUA agora está empurrando caros mísseis balísticos lançados a partir de embarcações para as suas forças navais, mesmo quando a Marinha dos EUA lhes diz que eles não querem estas armas, para as quais eles não encontram um uso.

Como, então, peguem as armas nucleares de qualquer forma. O que é o pior que pode acontecer?

Nós realmente precisamos começar a falar seriamente sobre a possibilidade de que uma arma nuclear poderia ser detonada como resultado de um mau-entendimento ou de uma disfunção em meio ao caos e a confusão destas escalações frenéticas e insensatas, conduzindo a um combate que acabe com o nosso mundo todo. Isso quase ocorreu em múltiplas ocasiões na última guerra fria e não há uma razão racional para se acreditar que desta vez teremos melhor sorte novamente.

O único caminho saudável de ação aqui é desanuviar e relaxar as tensões, e que todos os principais atores nestas escalações sejam guiados na direção exatamente oposta.

Isto é tão mais perigoso do que a maioria das pessoas se deixam crer. Isto está sendo sustentado através de compartimentalização psicológica, anulação emocional e uma profunda falta de sabedoria.

Como David S. Amato comentou recentemente: “se a nossa espécie efetivamente encontrar uma maneira para sobreviver no futuro distante, os nossos descendentes verão o aqui-e-agora atual como um quase-desastre; eles pensarão que 'Uau, esta vez foi quase.' Como podemos convencer as pessoas no poder a preservar aquele futuro?”

*Caitlin Johnstone é uma experiente jornalista independente e escritora australiana, baseada em Melbourne, que publica o seu trabalho em diversos veículos internacionais.

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