Os bancos espanhóis são salvos. Mas, e eles?

No maior resgate de todos os tempos, a Espanha poderá receber até 100 bilhões de euros para evitar que grandes instituições financeiras se tornem insolventes; a questão, agora, é saber como ficam os indignados (e desempregados) que tomam as ruas de Madri e outras metrópoles espanholas

Os bancos espanhóis são salvos. Mas, e eles?
Os bancos espanhóis são salvos. Mas, e eles? (Foto: ANDREA COMAS/REUTERS)


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247 – O primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy fez de tudo para evitar que se usasse a palavra “resgate”, mas é disso que se trata. Não de qualquer resgate. Mas do maior resgate de todos os tempos, com cifras que podem chegar a 100 bilhões de euros.

A Espanha está quebrada e essa falência se deve à má situação dos bancos, que sofrem com a bolha imobiliária. Como o desemprego na Espanha supera 24%, os espanhóis não têm conseguido honrar suas hipotecas.

O pacote de socorro foi negociado neste sábado, numa reunião emergencial do Eurogrupo, que reúne todos os ministros de finanças da zona euro. De acordo com estimativas do jornal El Pais e de agências de notícias como Reuters e Bloomberg, o valor que se discute é de 100 bilhões de euros.

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A questão é o que vem depois. Pacotes de apoio exigem, na maioria dos casos, contrapartidas de ajuste, que podem aprofundar as recessões. E o povo espanhol, que já trabalha com PIB negativo e tem uma multidão de indignados nas suas capitais, dificilmente aceitará novas doses de austeridade. Ou seja: a crise financeira pode se transformar, numa segunda etapa, em crise social, assim como está ocorrendo na Grécia. Uma saída possível para países em crise seria abandonar o euro e adotar suas antigas moedas: o dracma, no caso da Grécia, e a peseta, no caso espanhol. Isso daria espaço, na visão de muitos economistas, como é o caso do americano Paul Krugman, para que países da zona euro reconquistassem autonomia em política econômica e monetária. Outros temem os efeitos de uma eventual saída do euro. É o caso de Domingo Cavallo, ex-ministro das Finanças da Argentina, que disse que o retorno da peseta seria um “grave erro”.

A crise continua

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O resgate espanhol, no entanto, não significa um ponto final para a crise. Em relatório divulgado neste sábado, a agência de risco Moodys já alertou que o socorro à Espanha, que expôs a fragilidade do sistema financeiro de lá, significará novas reduções nas notas do país e também dos seus bancos.

Na vinda do rei Juan Carlos ao Brasil, ficou também exposta a grave situação das empresas espanholas. O Santander apresentou o pedido para que o Banco do Brasil comprasse 10% de suas ações e a Telefônica tenta transferir funcionários que serão ou já estão sendo demitidos na Espanha para cá.

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