Oposição na Venezuela convoca nova marcha

Clima de tensão agravou-se no país com a entrega às autoridades do dirigente da oposição Leopoldo López, do partido Vontade Popular, acusado pelo governo de promover atos de violência para forçar a saída do presidente; para Maduro, cadeia fará rival 'refletir'; ao menos seis pessoas morreram; próxima manifestação está marcada para sábado

Clima de tensão agravou-se no país com a entrega às autoridades do dirigente da oposição Leopoldo López, do partido Vontade Popular, acusado pelo governo de promover atos de violência para forçar a saída do presidente; para Maduro, cadeia fará rival 'refletir'; ao menos seis pessoas morreram; próxima manifestação está marcada para sábado
Clima de tensão agravou-se no país com a entrega às autoridades do dirigente da oposição Leopoldo López, do partido Vontade Popular, acusado pelo governo de promover atos de violência para forçar a saída do presidente; para Maduro, cadeia fará rival 'refletir'; ao menos seis pessoas morreram; próxima manifestação está marcada para sábado (Foto: Roberta Namour)


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247 – Diante da violência que já matou seis pessoas, o presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, promete endurecer para conter o que chama de “plano de conspiração contra a estabilidade”. A oposição convocou nova manifestação para o próximo sábado. 

Maduro disse ontem que Leopoldo López, dirigente rival detido no protesto, entrou "em uma loucura": "Tomara que este carcelazo' [algo como "cadeiaço"] lhe permita refletir e saia com outro espírito", afirmou Maduro. Ele falou em plano da oposição de matar López para criar uma crise.

Leia as matérias da Agência Brasil sobre o assunto: 

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Leandra Felipe - Correspondente da Agência Brasil/EBC

Com seis mortes confirmadas nessa quarta-feira (19), desde o início dos protestos na semana passada, o governo de Nicolás Maduro anunciou que poderá decretar estado de exceção em algumas regiões da Venezuela, para conter o que “chama de plano de conspiração contra a estabilidade”.

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A primeira região poderá ser Táchira (estado da Região Andina), que registrou sérios distúrbios, como barricadas, incêndios e atentados com tiros em manifestantes.

"Se tenho que decretar estado de exceção especial para Táchira, estou pronto para decretá-lo e mandar os tanques, as tropas, a aviação, mandar toda a força militar da pátria. Estou pronto para fazê-lo. Primeiro, tenho as faculdades constitucionais para fazê-lo, tenho a claridade estratégica e tenho a lei habilitante, disse Maduro em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão

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A situação também se agravou em Valência, capital de Carabobo. Lá ocorreram fortes confrontos, e os ânimos estavam bastante acirrados nessa quarta-feira, após a morte da Miss Turismo do estado, Génesis Carmona, 22 anos, que havia sido ferida na terça, quando participava de um protesto.

Maduro também anunciou que já mandou deter os infiltrados nas manifestações. Segundo ele, os infiltrados e motorizados são parte do plano para amedrontar e criar medo na classe média venezuelana e para “injetar o ódio no país”.

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Ele ressaltou que as ações não fazem parte do chavismo. “Aqui não há ninguém enviado nem autorizado [a agir com violência], se alguém tomou essa iniciativa, eu desconheço e chamo para que volte atrás. Vamos respeitar a convivência em paz das pessoas, dos vizinhos. Eu assumo a minha responsabilidade e que vocês assumam a de vocês, chefes da oposição”.

As informações são bastante controversas no país. O governo atribui a violência aos infiltrados, supostamente ligados a grupos da extrema direita, para provocar o caos e gerar instabilidade.

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Entre os opositores e manifestantes há um consenso de que parte da onda violenta é fruto da repressão policial e também da ação de grupos motorizados armados. Em vários protestos, estudantes denunciam a presença de coletivos socialistas, acusados pela oposição de atuar como paramilitares, debaixo da conivência do governo.

Em seu pronunciamento, Maduro defendeu os coletivos, ao dizer que não aceitaria a “demonização desses grupos”. Ele garantiu que os coletivos não têm ligação com os atentados.

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“Eu lhes dou garantias de que o que esses coletivos estão fazendo é trabalhar e produzir cultura”, disse. No entanto, o presidente admite o porte de armas entre esses grupos. “No passado, eles se armaram, se organizaram para proteger sua comunidade”
Maduro defendeu que, para frear a violência, a Justiça seja acionada e revelou a existência de um plano de setores da oposição para “assassinar Leonardo López”, o opositor detido desde terça-feira (18).


Da Agência Lusa

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A oposição venezuelana convocou ontem (19) uma nova manifestação para sábado (22) para exigir o desarmamento de grupos que declaram apoiar o governo e que, segundo a oposição, foram responsáveis pelos incidentes violentos na semana passada, quando morreram pelo menos seis pessoas.

“Não podem conviver grupos armados ilegais e a paz em sociedade. Ao governo cabe a responsabilidade de desarmar estes grupos”, defendeu o responsável da Mesa da Unidade Democrática, Ramón Guillermo Aveledo, em uma coletiva de imprensa.
Aveledo disse que a marcha será pacífica e “não há qualquer desculpa” para impedir a sua realização, em referência à exigência do governo de emitir uma autorização para as manifestações.

O clima de tensão agravou-se na Venezuela na terça-feira (18), com a entrega às autoridades do dirigente da oposição Leopoldo López, dirigente do partido Vontade Popular, acusado pelo governo de promover atos de violência para forçar a saída do presidente Nicolás Maduro.

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, lamentou “as perdas humanas e os incidentes de violência” na Venezuela e apelou para o “diálogo entre os implicados relevantes”.

O responsável pela ONU disse ter tomado nota das “preocupações expressadas pelos governos da região” e disse esperar que o diálogo permita conseguir “pacificamente as mudanças pelas quais o país atravessa atualmente”.

Já o diretor para o Continente Americano da Human Rights Watch, José Luís Vivanco, criticou o “silêncio” dos governos da região sobre os protestos contra o governo de Nicolás Maduro.

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