Opinião pública russa está surpreendida com a guerra, diz Boaventura

Sociólogo português afirma que há grande descontentamento na sociedade russa diante de uma guerra violenta, evitável e imprevisível



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247 - O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos manifestou profunda preocupação com os rumos da guerra na Ucrânia. Em entrevista ao Brasil 247, ele destacou o não alinhamento do Partido Comunista russo às ações de Vladimir Putin. Para Boaventura, essa ‘fratura’ política no seio do governo russo torna evidente o “abuso” de Putin na ocupação de todo o território ucraniano.  

Para o sociólogo, no entanto, não há mocinhos. Ele entende que a OTAN é um dinossauro da guerra fria, que os EUA estimularam criminosamente a deflagração da guerra e que os líderes europeus habitam uma zona dramática e inédita de mediocridade.  

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Chama ainda a atenção do professor da Universidade de Coimbra que a opinião pública russa esteja a manter distância do caráter belicoso de Putin. Boaventura destaca seus pares das universidades russas e seus alunos que dominam a língua de Tolstói manifestam preocupações na origem e no destino do gigante euroasiático - e que o fazem no interior do próprio debate doméstico, ainda que o Ocidente acuse a Rússia de censura.  

Diz Boaventura:  

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“Talvez pensar o passado não interesse neste momento de urgência. Talvez interesse mais pensar o futuro. A Ucrânia devastada arrasta consigo uma crise económica sem precedentes na Europa. E os cidadãos russos? Certamente são tanto contra a guerra como os cidadãos de outros países. Um grupo de cientistas e de jornalistas de ciência russos acaba de emitir um comunicado extremamente crítico da invasão da Ucrânia, em que se diz a certa altura: ‘não há nenhuma justificação razoável para esta guerra. As tentativas de utilizar a situação em Donbass como pretexto para o lançamento de uma operação militar não são credíveis. É evidente que a Ucrânia não representa uma ameaça para a segurança do nosso país. Uma guerra contra ela é injusta e francamente inútil. A Ucrânia tem sido e continuará a ser um país próximo de nós. Muitos de nós temos familiares, amigos e colegas na Ucrânia. Os nossos pais, avós e bisavós lutaram juntos contra o nazismo. O desencadear da guerra pelas ambições geopolíticas da liderança da Federação Russa, impulsionada por fantasias histórico-filosóficas duvidosas, é uma traição cínica à sua memória’.”

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Assista a entrevista de Boaventura: 


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