ONU pede que Europa não "demonize" refugiados

"Estamos preocupados que alguns Estados reajam encerrando programas em implementação, voltando atrás em compromissos assumidos para administrar a crise de refugiados (ou seja, realocá-los) ou propondo a construção de mais barreiras", disse a principal porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, em referência ao comportamento da Europa após os atentados em Paris

"Estamos preocupados que alguns Estados reajam encerrando programas em implementação, voltando atrás em compromissos assumidos para administrar a crise de refugiados (ou seja, realocá-los) ou propondo a construção de mais barreiras", disse a principal porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, em referência ao comportamento da Europa após os atentados em Paris
"Estamos preocupados que alguns Estados reajam encerrando programas em implementação, voltando atrás em compromissos assumidos para administrar a crise de refugiados (ou seja, realocá-los) ou propondo a construção de mais barreiras", disse a principal porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming, em referência ao comportamento da Europa após os atentados em Paris (Foto: Gisele Federicce)


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GENEBRA (Reuters) - A Organização das Nações Unidas (ONU) exortou países europeus nesta terça-feira a não reagirem aos ataques de sexta-feira em Paris rejeitando ou culpando refugiados, a grande maioria dos quais está fugindo de perseguições ou conflitos.

"Estamos preocupados que alguns Estados reajam encerrando programas em implementação, voltando atrás em compromissos assumidos para administrar a crise de refugiados (ou seja, realocá-los) ou propondo a construção de mais barreiras", disse a principal porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming.

"Estamos profundamente perturbados com a linguagem que demoniza os refugiados como grupo. Isto é perigoso, já que irá contribuir para a xenofobia e o medo", acrescentou.

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Ela afirmou que o Acnur está muito preocupado com o "ainda não confirmado" relato de que um dos autores dos ataques em Paris pode ter entrado na Europa em meio ao fluxo de refugiados.

A melhor reação seria aprimorar de imediato os procedimentos de triagem na Grécia e na Itália e implementar o plano da União Europeia para realocar 160 mil refugiados.

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"Acreditamos que, se isso tivesse sido feito desde o início, jamais teríamos visto em nossas telas essas imagens de pessoas atravessando toda a Europa. Não teria resolvido, mas teria ajudado muito a administrar (o problema)".

Indagada se o Acnur alertou para o risco de que um influxo de refugiados mal gerido poderia permitir que militantes se infiltrassem no continente, Melissa respondeu que a entidade avisou, em termos gerais, da importância da devida triagem.

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O porta-voz de direitos humanos da ONU, Rupert Colville, afirmou que o maior grupo de pessoas sofrendo nas mãos dos militantes do Estado Islâmico são muçulmanos da Síria e do Iraque.

"Se for permitido que esse ataque alimente a discriminação e o preconceito, estará caindo como uma luva para o Estado Islâmico", disse. "Será que vamos fazer o trabalho deles por eles? Está claro que demonizar comunidades já marginalizadas é uma maneira estúpida de se agir".

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Joel Millman, porta-voz da Organização Internacional para as Migrações (OIM), disse que, de cerca de 1,1 milhão de pessoas que foram à Europa nos últimos anos, no máximo algumas poucas despertaram dúvidas a respeito de possíveis elos com o extremismo.

(Por Tom Miles)

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