ONU: guerras no Iraque e na Síria fizeram 13,6 mi desabrigados

Amin Awad, diretor do Acnur para o Oriente Médio e o norte da África, disse que o mundo está ficando indiferente às necessidades dos refugiados: “Agora, quando falamos de um milhão de pessoas deslocadas ao longo de dois meses, ou 500 mil da noite para o dia, o mundo simplesmente não reage”; a grande maioria dos refugiados sírios foram para Líbano, Jordânia, Iraque ou Turquia

Crianças sírias refugiadas em campo de Bab Al-Salam, em Azaz, perto da fronteira da Síria com a Turquia. Foto de 27 de outubro de 2014. REUTERS/Hosam Katan
Crianças sírias refugiadas em campo de Bab Al-Salam, em Azaz, perto da fronteira da Síria com a Turquia. Foto de 27 de outubro de 2014. REUTERS/Hosam Katan (Foto: Roberta Namour)


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GENEBRA (Reuters) - Cerca de 13,6 milhões de pessoas, o equivalente à população de Londres, ficaram desabrigadas por causa dos conflitos no Iraque e na Síria, e muitas estão sem comida nem abrigo às vésperas do inverno local, informou o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) nesta terça-feira.

Amin Awad, diretor do Acnur para o Oriente Médio e o norte da África, disse que o mundo está ficando indiferente às necessidades dos refugiados.

“Agora, quando falamos de um milhão de pessoas deslocadas ao longo de dois meses, ou 500 mil da noite para o dia, o mundo simplesmente não reage”, declarou ele aos repórteres em Genebra.

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Entre as 13,6 milhões de pessoas estão 7,2 milhões de desabrigadas dentro da Síria – um aumento em relação a uma estimativa de 6,5 milhões que a Organização das Nações Unidas (ONU) manteve durante muito tempo – , assim como 3,3 milhões de refugiados sírios no exterior.

No Iraque, 1,9 milhão de pessoas foram deslocadas neste ano por combates tribais e pelo avanço do Estado Islâmico e se somam ao um milhão de pessoas anteriormente desabrigadas, e 190 mil deixaram o país em busca de segurança.

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A grande maioria dos refugiados sírios foram para Líbano, Jordânia, Iraque ou Turquia, nações que Awad disse “estarem causando vergonha a todos nós” por seu apoio às famílias sírias sem teto.

“Outros países do mundo, especialmente na Europa e além, deveriam abrir suas fronteiras e dividir a responsabilidade”.

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O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU reduziu as porções de 4,25 milhões de pessoas, e a falta de fundos pode levar a uma interrupção em seus suprimentos para os refugiados no mês que vem, afirmou a porta-voz Elisabeth Byrs à Reuters.

Recentemente o PMA recebeu novas promessas que podem evitar cortes imediatos, disse Byrs, embora ainda precise de 325 milhões de dólares para cobrir suas operações na Síria e na região até o final de 2014.

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“Até que estas promessas sejam confirmadas, a situação atual do financiamento do PMA continua crítica, e antecipamos cortes na assistência durante o próximo inverno”, declarou ela.

O Acnur diz necessitar de 58,5 milhões de dólares em doações para preparar 990 mil pessoas para o inverno, o que o obriga a priorizar a ajuda para pessoas em altitudes mais altas e frias e para casos mais vulneráveis, como recém-nascidos.

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Cifras da ONU mostram que entre os principais doadores estão a União Europeia, os Estados Unidos, o Japão, a Noruega e alguns países do Golfo Pérsico. Os dados ainda revelam que a Rússia e a China providenciaram, cada uma, só 0,1 por cento do total de fundos humanitários arrecadados por doadores este ano para a Síria.

Awad disse que os dois países deveriam fazer mais.

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“Politicamente eles não podem ser de fato indiferentes, portando a ajuda humanitária é um imperativo e deve ser posta acima de tudo se não houver um entendimento (político)… eles precisam contribuir de uma maneira ou de outra, como fazem os outros”, afirmou.

(Por Tom Miles)

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