ONU alertou em duas ocasiões para os níveis de violência na região em que indigenista e jornalista britânico desapareceram
A ONU pediu que o Estado brasileiro garantisse "a segurança de indígenas e outros atores sociais" na região do Vale do Javari entre os anos de 2017 e 2020
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247 - A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou o governo brasileiro em diversas ocasiões para os níveis de violência na região do Vale do Javari, na Amazônia, local onde o indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips desapareceram no último domingo (5). Pereira, considerado um dos indigenistas mais experientes do país, vinha sendo alvo de ameaças por parte de madeireiros, garimpeiros e pescadores ilegais. De acordo com o procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNivaja), Eliesio Marubo, três pessoas são suspeitas de envolvimento com o caso, sendo que uma delas já teria sido detida pela polícia.
Segundo a coluna do jornalista Jamil Chade, no UOL, os alertas da ONU foram feitos após entidades internacionais denunciarem invasões nos territórios indígenas e pedirem providências do Estado brasileiro por meio de dois comunicados entre 2017 e 2020. Nas ocasiões a ONU afirmou que “a garantia de segurança de indígenas e outros atores sociais na região era de responsabilidade do Estado”.
“A partir de 2018 e 2019, os relatos são de que a violência ganha uma nova dimensão e, mesmo assim, o Palácio do Planalto optou por não atender aos pedidos dos indigenistas. Nos últimos meses, a questão indígena passou a ser alvo de constantes questionamentos por parte da ONU, denunciando as omissões do atual governo brasileiro”, ressalta a reportagem.
Um alerta específico sobre o Vale do Javari foi emitido há cinco anos através da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) e pelo Escritório Regional para a América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos. No documento estava expressa a “preocupação” diante de um “massacre de povos indígenas em isolamento voluntário, próximo aos limites superiores do rio Jandiatuba, na Terra Indígena Vale do Javari''.
As entidades pediram que o governo brasileiro “adotasse medidas para prevenir e responder às atividades ilegais de mineração, cultivo, caça, pesca e extração ilegal de madeira nos territórios indígenas em análise” e que havia uma preocupação com o fato da região enfrentar “um contexto caracterizado por um aumento das incursões e atos de violência contra comunidades em isolamento voluntário e contato inicial na região do Vale do Javari".
Segundo informações recebidas pelas duas instituições, o massacre foi apenas "um dos inúmeros relatos das comunidades indígenas de incursões e ataques contra os povos indígenas em isolamento voluntário e contato inicial na área, perpetrados por garimpeiros, agricultores e madeireiros ilegais".
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