ONU alerta que mais da metade da população afegã poderá sofrer com a fome no inverno
Colapso econômico e crise social são consequências de cerca de 20 anos de guerra promovida pelos Estados Unidos, que, após a tomada do poder pelo Talibã, decidiram congelar bilhões de dólares do país guardados no estrangeiro
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247 - Cerca de 22,8 milhões de afegãos irão sofrer com insegurança alimentar aguda neste inverno (no Hemisfério Norte - verão no Brasil), segundo agências da ONU. Após a chegada ao poder pelo Talibã no Afeganistão, os Estados Unidos decidiram congelar US$ 9 bilhões do país guardados no estrangeiro - no FMI e no Banco Mundial, por exemplo.
O país vive numa situação complicada diante do colapso da economia, e a fome durante o inverno pode colocar o país numa das piores crises humanitárias do mundo, segundo a ONU. A guerra de 20 anos promovida pelos EUA e o congelamento dos recursos do país colocam lenha na fogueira da crise.
A Rússia tem buscado solucionar o problema junto à entidade mundial, enquanto o Talibã anunciou a criação de um programa de combate à fome e ao desemprego no país. A iniciativa consiste em distribuir trigo em troca de trabalho para dezenas de milhares de pessoas, e pretende empregar 40 mil homens em Cabul, capital do país.
Crise humanitária
De acordo com o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley, em comunicado divulgado conjuntamente com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), “neste inverno, milhões de afegãos serão forçados a escolher entre migrar ou morrer de fome, a menos que possamos aumentar nossa ajuda para salvar vidas”.
“O Afeganistão está agora entre as piores crises humanitárias do mundo, senão a pior, e a segurança alimentar quase entrou em colapso. Estamos em contagem regressiva para a catástrofe e, se não agirmos agora, teremos um desastre total em nossas próprias mãos”, falou Beasley.
O comunicado divulgado pelo PMA e pela ONU apontam que um em cada dois afegãos enfrenta uma fase três de "crise" ou uma fase quatro de "escassez emergencial de alimentos".
“Estamos tentando tirar nosso povo da situação atual e ajudá-lo. A ajuda humanitária global também chegou. Tentamos organizar e distribuir, incluindo comida e roupas. Todas as preocupações serão resolvidas. Em relação à seca, esperamos ter um inverno chuvoso. Mas, se a seca continuar, tomaremos as medidas cabíveis na primavera”, explicou o porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid.
A FAO está buscando 11,4 milhões de dólares em fundos urgentes e outros 200 milhões de dólares para a temporada agrícola até 2022.
“A fome está aumentando e as crianças estão morrendo. Não podemos alimentar promessas às pessoas; os compromissos de financiamento devem ser transformados em dinheiro. A comunidade internacional deve se unir para enfrentar esta crise, que está rapidamente saindo de controle”, advertiu Beasley.
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