Obama e "Bibi" Netanyahu

Quatro anos depois, é notório que o eleitor de Barack Obama se desapontou com seu presidente. Em Israel, o comparecimento de 66% dos eleitores foi um recado: o radicalismo dos políticos está cansando a todos



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Quatro anos depois, é notório que o eleitor de Barack Obama se desapontou com seu presidente. A economia não caiu no precipício, mas está longe do vigor de outrora. O "abismo fiscal" ainda é uma ameaça.

Na questão da segurança nacional, Bin Laden foi morto, mas o fanatismo religioso está mais forte do que nunca, sobretudo nos países da Primavera Árabe. E Guantánamo não foi fechada.

No plano externo, a diplomacia não funcionou com o Irã, Israel ficou mais radical e o Afeganistão continua o que sempre foi: um caos.

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No debate interno, o cenário de polarização atual é o mais radical em décadas, o que dificulta a aplicação de políticas tanto do lado Democrata quanto do Republicano.

A reforma na Saúde saiu, mas não do jeito que o presidente imaginou, assim como o aumento de impostos para os mais ricos. Todavia, a Casa Branca conseguiu salvar parte do corte de gastos que a oposição almejava.

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Com um discurso para 800 mil pessoas (corajosas, que aguentaram o frio de 3 graus de Washington), o Democrata frisou a questão da igualdade e os direitos dos gays e lésbicas (foi o primeiro presidente a tocar nesse assunto em um evento de posse).

Também disse que o país está cansado de "décadas de guerras". Sua promessa é tirar todos os soldados americanos de Afeganistão em dezembro de 2014.

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Obama tem até o final de 2016 para colocar sua agenda progressista em prática – melhora na economia, fim da guerra no Afeganistão e uma diplomacia mais presente com outros atores importantes do mundo. Ele vai conseguir?

Netanyahu vence, mas não convence

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Todos os institutos de pesquisa das eleições de Israel podem ser considerados "reprovados". A tese era a de que a direita comandada pelo premiê Binyamin Netanyahu ganharia de lavada o pleito.

De fato venceu, mas não com as sobras previstas. Em vez disso, o centro e a esquerda conseguiram importantes avanços no Knesset, o parlamento local.

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A coalizão governista Likud-Israel Beitenu (de "Bibi" e do ex-chanceler Avigdor Lieberman) levaram 31 cadeiras de um total de 120. O Yesh Atid, partido novato de centro, foi a 19 assentos, tornando-se a segunda força da casa e superando o tradicional Partido Trabalhista, que teve 17.

A legenda radical de direita Habayit Hayehudi também foi bem, com 12 cadeiras.

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No total, analistas estimam que os conservadores devem ter entre 61 e 62 cadeiras e os progressistas, 58 ou 59.

Como visto, não houve um "rolo compressor vitorioso" por parte do governo Bibi, já muito desgastado internacionalmente. O premiê terá que negociar com as legendas da oposição para conseguir aprovar projetos importantes.

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Obviamente que terá que ceder em alguns pontos, principalmente na sensível questão com os palestinos. Aí, Bibi vai enfurecer sua base aliada, que pode abandoná-lo a qualquer momento. Mas isso é tema para outro artigo.

O fato é: o comparecimento de 66% dos eleitores foi um recado. O radicalismo dos políticos israelenses está cansando a todos.

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