O que está em jogo na relação do governo Bolsonaro com a China

A Sputnik Brasil publicou uma análise sobre o que está em jogo nas relações econômicas entre o Brasil e a China, a partir das declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que provocaram desconforto em círculos empresariais e diplomáticos chineses

O que está em jogo na relação do governo Bolsonaro com a China
O que está em jogo na relação do governo Bolsonaro com a China


✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

247 - A Sputnik Brasil publicou uma análise sobre o que está em jogo nas relações econômicas entre o Brasil e a China, a partir das declarações do presidente eleito, Jair Bolsonaro, que provocaram desconforto em círculos empresariais e diplomáticos chineses.

Durante sua campanha eleitoral, o presidente eleito fez declarações críticas em relação às relações econômicas do Brasil com a China. No começo da semana passada, em entrevista à Rede Bandeirantes, Bolsonaro declarou que "nem a China ou qualquer outro país poderá comprar o Brasil", levantando suspeitas por parte de diplomatas e investidores chineses em relação ao futuro governo brasileiro.

A preocupação manifestada pelo lado chinês fez o presidente eleito recuar e adotar um tom conciliador com a China.

continua após o anúncio

Em entrevista à Sputnik Brasil, o secretário-executivo do conselho empresarial Brasil-China, Roberto Fendt, destacou a grande importância que a China tem hoje para a economia brasileira. De acordo com ele, não só é o país que mais importa produtos brasileiros, como é o maior investidor estrangeiro no país. Ele observa que, no período entre 2007 e 2017, mais de 100 empresas chinesas se instalaram no Brasil, sendo a maioria dos investimentos no setor elétrico.

Já o professor de economia da Ibmec-SP, Roberto Dumas, comentou que grande parte dos investimentos que a China faz no Brasil atinge pontos fundamentais para o país ter um crescimento sustentável, como infraestrutura e logística.

continua após o anúncio

"A importância da China na economia brasileira é cada vez maior por vários motivos. Primeiro, porque é o maior destino das nossas exportações. O segundo ponto que considero crucial são os investimentos que, felizmente, continuam vindo para o Brasil. Você já tem aí entre 70 e 80 bilhões de dólares de estoque de investimento direto que vêm aportar no Brasil em vários segmentos, quer mineração, agronegócio, infraestrutura, energia elétrica, óleo, gás, carros etc." - destacou Dumas.

"Qual é a importância disso? Primeiro porque é o nosso maior mercado consumidor internacional. Segundo, é um dos maiores investimentos diretos que vêm pro Brasil. Terceiro, agora felizmente os chineses estão vindo para o Brasil para investir na parte de logística e infraestrutura, que é justamente o nosso maior gargalo para o crescimento sustentável", acrescentou.

continua após o anúncio

Ao comentar as declarações críticas do presidente eleito, Roberto Dumas afirmou que um chinês, ou qualquer nacionalidade, que vem pra cá, está ligado a um contrato de concessão, portanto existem normas contratuais a serem cumpridas, afastando, assim, o risco da presença estrangeira na economia brasileira.

"O chinês não vai pegar água da hidroelétrica, colocar nas costas e ir embora. O principal gargalo hoje em dia é justamente infraestrutura, energia elétrica, óleo e gás, e justamente o governo resolve arranjar uma rusga com quem tem dinheiro e vem para cá? De onde que tiramos isso?" - questiona o economista.

continua após o anúncio

É consenso entre os especialistas que as declarações do presidente eleito enviam sinais negativos para um país que tem uma presença fundamental na economia brasileira, mas a posterior reunião de Bolsonaro com o embaixador chinês acalmou os ânimos entre os dois países e mandou um sinal tranquilizador para o mercado. Contudo, as dúvidas em relação aos próximos passos do futuro governo brasileiro ainda permanecem.

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China, Charles Tang, não deixou de manifestar a clara preocupação do mundo empresarial chinês. De acordo com ele, "os chefes de muitas grandes empresas chinesas estão preocupados". "Não é que os negócios estão sendo afetados, eles simplesmente estão em compasso de espera. Ninguém virá se não for bem-vindo. Os chineses estão cheios de dúvidas", destacou.

continua após o anúncio

O economista Roberto Dumas foi enfático ao dizer que é contraproducente fazer declarações críticas a um país que traz tanto dinheiro para o Brasil, mas acredita que não houve um propósito maior nessas afirmações.

"Na minha opinião esta declaração foi despropositada, e depois do encontro que teve com o embaixador no começo da semana, eu acho que o presidente eleito deve ter maneirado isso. Porque não se pode brigar com o país que traz mais dinheiro para o Brasil, e dizer 'eu não vou vender o Brasil'. Mas não se está vendendo o Brasil, está vendendo concessão de serviços públicos para um investidor internacional. No mínimo, parece que o presidente está sendo mal assessorado. Não é assim que se fala", destacou.

continua após o anúncio

Ao comentar os acenos que o novo governo tem feito à administração norte-americana de Donald Trump e a sua respectiva batalha comercial com a China, o economista Roberto Dumas opinou que o Brasil não pode seguir os passos dos EUA neste aspecto.

"Seria terrível, porque o Brasil é superavitário com a China. Quem mais compra soja, quem mais compra commodities, quem mais compra petróleo, é a China, como é que eu vou entrar em uma guerra comercial com eles? Vou atirar justamente em quem está comprando minha mercadoria?" - argumentou.

continua após o anúncio

"O que a gente pode fazer é um plano de governo com o Itamaraty de tentar vender produtos com maior valor agregado. Não sair gritando como o Trump está gritando de que quer fazer uma guerra comercial.

Apesar das preocupações manifestadas por investidores e diplomatas chineses em relação às posições de Jair Bolsonaro, a mudança de tom do presidente eleito na última semana demonstra que o futuro governo tende a adotar uma postura mais pragmática em relação ao país asiático.

De acordo com Dumas, as relações sino-brasileiras devem entrar nos eixos, tendo em vista a dimensão da China na economia brasileira.

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247