O Mercosul e a Venezuela: aula de como não fazer diplomacia
Para Fernando Brito, Editor do Tijolaço, a suspensão da Venezuela feita pelos países do Mercosul do bloco comercial "é um "prodígio" diplomático digno dos tempos da Guerra Fria"; Brito avalia que decisão passa ao largo de tentar resolver ou mesmo abrir um canal de diálogo para por fim à crise venezuelana; "Apostam em quê, numa guerra civil? Numa intervenção militar estrangeira? Num banho de sangue? Isso, sim, é condução ideológica de política externa", destaca
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Fernando Brito, no Tijolaço - O Mercosul acaba de decidir por uma "suspensão" da Venezuela do bloco, do qual ela já estava suspensa desde dezembro.
É um "prodígio" diplomático digno dos tempos da Guerra Fria.
É óbvio até para uma pedra que a Venezuela é um país dividido, onde cada lado proclama ter maioria, embora seja irrelevante, a esta altura, que um lado possa ter 5 ou 10% mais que o outro, porque não é possível, a esta altura, qualquer processo eleitoral em que os dois lados disputem.
Então, em lugar de ajudar a abrir um diálogo, de procurar uma composição (já em si uma tarefa para Hércules), o que fazem os – em tese – parceiros da Venezuela?
Apostam em quê, numa guerra civil? Numa intervenção militar estrangeira? Num banho de sangue?
Isso, sim, é condução ideológica de política externa.
É dirigi-la por conceitos que não visam, necessariamente, os interesses do pais.
Que Donald Trump seja uma besta, mais um governante norte-americano que, pelo poder econômico e bélico, possa sair distribuindo sanções e ameaças. Países como o Brasil (e a Argentina e Paraguai, os outros artífices desta estupidez) deveriam saber que só preservam seus interesses pelo diálogo.
Não temos nenhum direito de interferir nas questões internas de outro país senão para contribuir com uma saída democrática e conciliadora.
E, idem, nenhum interesse político ou econômico que a crise venezuelana vire uma guerra civil.
Mas como temos um governo que, além de espúrio, é estúpido, estamos reduzindo nossa diplomacia aos humores do Kim Kataguiri da terceira idade que ocupa o Itamaraty.
É preciso avisar a ele que guerra civil não é como a do seu ídolo, com paintball.
Tem sangue.
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