O elevado preço da 'proteção militar' estadunidense

Colunista do jornal Il Manifesto denuncia que o governo de Donald Trump vai impor aos seus aliados europeus não somente o pagamento de todos os custos das bases militares norte-americanas, mas também uma cota suplementar de 50% para remunerar a 'proteção militar' dos Estados Unidos

O elevado preço da 'proteção militar' estadunidense
O elevado preço da 'proteção militar' estadunidense


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247 - Por Manlio Dinucci - Colunista do jornal Il Manifesto denuncia que o governo de Donald Trump vai impor aos seus aliados europeus não somente o pagamento de todos os custos das bases militares norte-americanas, mas também uma cota suplementar de 50% para remunerar a 'proteção militar' dos Estados Unidos.

Não é só a máfia que cobra um preço em troca de "proteção". "Os países ricos que estamos protegendo - advertiu ameaçadoramente Trump, em um discurso no Pentágono - estão todos avisados: deverão pagar por nossa proteção".

O presidente Trump – revela Bloomberg – está por apresentar o plano "Cost Plus 50" que estabelece o seguinte critério: os países aliados que hospedam forças estadunidenses em seu território deverão cobrir totalmente os custos e pagar aos EUA mais 50% em troca do "privilégio" de hospedar essas forças e ficar assim sob sua "proteção".

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O plano prevê que os países hospedeiros paguem também os soldos dos militares estadunidenses e os custos de gestão dos aviões e navios de guerra que os Estados Unidos têm nesses países.

A Itália deveria, portanto, pagar não só os soldos de cerca de 12 mil militares estadunidenses que aqui se encontram, mas também os custos da gestão dos caças F-16 e dos demais aviões deslocados pelos EUA a Aviano e Sigonella e os custos da Sexta Frota baseada em Gaeta.

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Segundo o mesmo critério, deveremos pagar também a gestão de Camp Darby, o maior arsenal estadunidense fora do país, e a manutenção das bombas nucleares dos EUA deslocadas para Aviano e Ghedi.

Não se sabe quanto os Estados Unidos cogitam pedir à Itália e outros países europeus que hospedam suas forças militares, porque não se sabe tampouco quanto esses países pagam atualmente. Os dados estão cobertos por segredo militar.

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Segundo um estudo da Rand Corporation, os países europeus da Otan Nato suportam em média 34% dos custos das forças e bases dos EUA presentes em seus territórios. Não se sabe, contudo, qual o montante anual que pagam aos EUA: a única estimativa - 2,5 bilhões de dólares - data de 17 anos atrás.

É, portanto, secreta a cifra paga pela Itália. Apenas alguns itens são conhecidos: por exemplo, dezenas de milhões de euros para adequar os aeroportos de Aviano e Ghedi aos caças estadunidenses F-35 e às novas bombas nucleares B61-12 que os EUA começaram a deslocar para a Itália em 2020, e cerca de 100 milhões para trabalhos na estação aeronaval estadunidense de Sigonella, também a cargo da Itália.

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Em Sigonella só é financiada exclusivamente pelos EUA a NAS I, área administrativa e recreativa, enquanto a NAS II, dos departamentos operacionais e portanto mais custosa, é financiada pela Otan, ou seja, também pela Itália.

É, porém, certo – prevê um pesquisador da Rand Corp – que com o plano "Cost Plus 50", o custo para os aliados "vai disparar". Fala-se de um aumento de 600%.

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Eles serão adicionados à despesa militar, que na Itália chega a 70 milhões de euros ao dia, que poder atingir cerca de 100, segundo os compromissos assumidos pelos governos italianos com a Otan. Trata-se de dinheiro publico, que sai dos nossos bolsos, subtraído aos investimentos produtivos e aos gastos sociais.

É possível, porém, que a Itália possa pagar menos pelas forças e bases estadunidenses deslocadas para o seu território. O plano "Cost Plus 50" prevê na verdade um "dessconto por bom comportamento" a favor dos "aliados que se alinham estreitamente com os Estados Unidos, fazendo o que estes pedem".

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Seguramente, a Itália desfrutará de um forte desconto porque, de governo em governo, sempre permaneceu ligada aos Estados Unidos. Ultimamente, enviando tropas e aviões de guerra ao Leste Europeu com a motivação de enfrentar a "ameaça russa" e favorecendo o plano estadunidense de enterrar o Tratado INF (de armas nucleares de curto e médio alcance) para deslocar à Europa, incluindo a Itália, mísseis nucleares apontados para a Rússia.

Sendo este o alvo de uma possível retaliação, teremos necessidade, como "proteção", de outras forças e bases dos EUA. Nós deveremos pagar, mas sempre com desconto.

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Tradução de José Reinaldo Carvalho para Jornalistas pela Democracia

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