O Brasil na ONU e Yoani Sánchez

A presença da blogueira no Brasil trouxe à baila a timidez da diplomacia brasileira em relação à ditadura cubana



✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.

A viagem da blogueira Yoani Sánchez ao Brasil evidenciou claramente que muita gente ainda vive no século passado marcado pela Guerra Fria: um mundo bipolar.

Esta visita me lembrou uma reunião que tive com Marco Antônio Mroz, atual presidente do PV, durante a Assembleia Nacional Constituinte, com uma delegação cubana que visitava o Congresso Nacional. O assunto era energia nuclear, monocultura, enfim, Cuba.

Como a maior parte dos presentes era formada pela "esquerda" do Congresso, nossos comentários acerca da monocultura da cana e do uso nuclear na ilha geraram enorme desconforto. Esses temas, nos países capitalistas, seriam motivo de censura. Mas esta última não se aplicaria no mundo socialista...

continua após o anúncio

Parte desta esquerda sempre se aliou a sua equivalente na direita, possuindo como fio condutor a intransigente defesa da soberania nacional, sob cujo manto se defendia o projeto da bomba atômica brasileira, a ocupação a qualquer preço da Amazônia e o endosso à tese conspiratória de que interesses estrangeiros estariam por detrás dos ambientalistas e dos direitos indígenas.

Aí se identificam os discursos de Aldo Rebelo e de Kátia Abreu. E na Assembleia Nacional Constituinte, a defesa do PC do B do direito do Brasil construir sua bomba atômica.

continua após o anúncio

O combate à violação dos direito humanos e a tortura, onde quer que seja, a defesa intransigente da liberdade de expressão, o pacifismo e a luta pela sustentabilidade planetária são bandeiras que devem ser desfraldadas, sem hesitação, por todos.

Lembrando que não admitem esforços de relativização sob quaisquer circunstâncias. A condenação à violação dos direitos humanos em Cuba não significa desqualificar avanços obtidos pelo regime cubano em relação à saúde e educação. Muito pelo contrário.

continua após o anúncio

Algumas de suas experiências bem-sucedidas devem servir de exemplo para outros países. Nem tampouco devemos deixar de criticar severamente o embargo norte-americano, exigindo do presidente Obama a decretação do fim deste resquício ilegítimo da Guerra Fria.

Yoani representa, nesse contexto, a possibilidade real de uso das novas tecnologias na defesa dessas bandeiras. Assim como na China o artista plástico Ai Weiwei representa a resistência ao autoritarismo do governo chinês, que defende que os direitos humanos no país devem ser diferentes dos demais.

continua após o anúncio

O importante é que se mantenha o esforço permanente de respeito aos direitos humanos e que esta bandeira seja item obrigatório da política externa dos países.

Nesse sentido, o Brasil, que acabou de voltar a integrar o Conselho de Direitos Humanos da ONU, tem um papel relevante, sendo que todos os partidos políticos deveriam apoiar uma posição firme da diplomacia brasileira.

continua após o anúncio

Ou será que aqueles que foram torturados na ditadura, como a Presidente Dilma, devem se curvar às circunstâncias geopolíticas?

Enfim, a presença de Yoani Sánchez trouxe à baila a timidez da diplomacia brasileira em relação à ditadura cubana. Mais do que isso, há necessidade de reafirmarmos que o respeito aos direitos humanos faz parte da construção desta cidadania planetária, que hoje engaja cidadãos, governos e até mesmo empresas.

continua após o anúncio
continua após o anúncio

iBest: 247 é o melhor canal de política do Brasil no voto popular

Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247

continua após o anúncio

Ao vivo na TV 247

Cortes 247