"Nunca a extrema direita", publica jornal comunista francês contra Le Pen
O texto faz duras críticas a Macron, mas rejeita a eventual eleição de Le Pen
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247 - O jornal comunista francês l'Humanité publicou nesta segunda-feira (11) editorial no qual lamenta o avanço do atual presidente do país, Emmanuel Macron, e da candidata de extrema direita Marine Le Pen ao segundo turno das eleições presidenciais.
"O cenário que 80% dos franceses não queriam há algumas semanas repetiu-se", destaca.
No texto, o veículo faz duras críticas a Macron, mas rechaça a ideia de que a extrema direita chegue ao poder.
Leia na íntegra:
"Nunca a extrema direita
É um choque, mas não uma surpresa. A maioria dos eleitores acorda esta manhã desapontada ou irritada, mas acima de tudo preocupada. O cenário que 80% dos franceses não queriam há algumas semanas repetiu-se ontem, graças, entre outras coisas, à baixa participação nas eleições presidenciais – cerca de 12 milhões de eleitores não julgaram útil se deslocar.
Este jogo de volta, no entanto, não será igual ao de 2017. Nunca a extrema-direita conquistou tantos votos (32,4% no fechamento desta edição). E Le Pen nunca terá se beneficiado de tal reservatório de vozes. Claro, o presidente cessante tem uma imensa responsabilidade. Primeiro, porque o Rally Nacional está ganhando espaço nas feridas causadas pelo desespero e pela desigualdade social. Emmanuel Macron não cessou desde o início de seu mandato de cinco anos para travar o debate público neste duelo mortal, convencido de que ele o venceria com as mãos. Desta vez, o arrogante presidente dos ricos poderia quebrar os dentes ali e mergulhar o país no abismo. A pontuação estreita que as pesquisas prevêem para ele no segundo turno deve nos alertar. A vitória da extrema direita em 24 de abril não é mais impossível. Os lavradores do solo em que se alimenta o animal imundo serão os que o enfrentarão no segundo turno. E, no entanto, teremos que votar de cabeça erguida, sem cheque em branco para o presidente cessante.
A esquerda – toda a esquerda – se depara com a responsabilidade histórica de não deixar nosso país nas mãos da extrema direita. Já ouvimos o 'nei-nor', o 'não me aguenta mais', 'nunca tentamos' ou 'pior não pode ser'. À medida que o perigo avança, a consciência dele diminui. Isso é banalização. Estamos falando aqui de uma família política que abomina o progresso e a igualdade, que quer um ministério de 'remigração', que ataque todos os direitos conquistados, os freios e contrapesos, da imprensa à justiça, em sintonia com a cultura, representará a França na ONU... Antes das lutas que se seguirão contra o colapso social de Macron, é essa luta que nos espera nas próximas duas semanas. Coragem, represa!".
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