Novo governo de Israel terá política mais radical contra palestinos e 'proverá dicas de fascismo', diz analista
"Nas últimas sete décadas, nenhum governo israelense teve nomeados para o governo tão estranhos aos ideais que acompanharam a criação do Estado de Israel", analisa Melvin Goodman
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Artigo de Melvin Goodman (*) publicado originalmente no www.counterpunch.org em 02.12.22. Traduzido e adaptado por Rubens Turkienicz com exclusividade para o 247.
Os israelenses rejeitam as acusações de “apartheid contra os palestinos” como sendo propaganda antissemita, mas o novo governo de Benjamin Netanyahu confirmará a natureza de apartheid do regime e proverá dicas de fascismo, no estilo israelense. Netanyahu não é um fascista, mas ele é um racista e ele está considerando nomear para o seu governo pessoas que são racistas perigosos. Nas últimas sete décadas, nenhum governo israelense teve nomeados para o governo tão estranhos aos ideais que acompanharam a criação do Estado de Israel.
O novo ministro da segurança nacional (antes era da segurança interna) será Itamar Bem Gvir, que controlará as unidades da Patrulha de Fronteiras na Cisjordânia – a qual participou de numerosos atos violentos contra palestinos inocentes. Bem Gvir é um acólito de Meri Kahane, um fascista que cometeu numerosos crimes contra os israelenses antes de ser assassinado. O partido de Bem Gvir, ‘Poder Judaico’ [Jewish power] controlará o Ministério para o Desenvolvimento do Neguev [sul do país] e da Galileia. O novo Ministro do Legado [Nacional], que é o seu partido, será responsável por sítios históricos e arqueológicos na Cisjordânia.
O novo ministro das Finanças será Bezalel Smotrich, que tentará controlar a Administração Civil da Cisjordânia, que atualmente é dirigida pelo Ministério da Defesa. Smotrich e Bem Gvir farão o seu melhor para limitar os poderes do Ministério da Defesa, especialmente na Cisjordânia. As políticas deles minarão as relações israelenses com os estados árabes que reconhecem Israel, especialmente os Emirados Árabes Unidos (UAE), Bahrain e Marrocos. Segundo Yossi Alpher, um distinto analista de segurança israelense, eles podem até tentar anexar a Cisjordânia, enquanto a comunidade global está se concentrando na Ucrânia, na Rússia e no Irã.
As mídias corporativas tradicionais minimizaram os registros de prisão de Bem Gvir e de Smotrich - os quais refletem as suas ações fascistas nas últimas décadas. O próprio Netanyahu está sendo julgado atualmente em múltiplas acusações de corrupção; se prediz que ele enfraquecerá o poder judicial de Israel, a fim de escapar da sentença por corrupção. Alpher acredita que o governo de Netanyahu tentará reduzir o poder da Corte Suprema de Justiça de Israel. A prioridade maior de Netanyahu, como a do seu bom amigo Donald Trump, é ficar fora da prisão.
Um novo vice-ministro no escritório do Presidente, Avi Maoz, dedica-se a reforçar a identidade judaica dentre os israelenses; ele é um forte opositor dos judeus israelenses que não são ortodoxos. Ele é anti-LGBTQ+ e contra o serviço militar de mulheres. As sus referências à “identidade judaica” e ao “legado” indicam políticas fascistas, segundo Alpher.
O que significa isto? Pelo menos, a nova coalizão de governo tentará legalizar pelo menos 70 assentamentos ou “postos avançados” ilegais que atualmente constituem violações da lei israelense e têm pelo menos 25.000 ocupantes. Os palestinos de Jerusalém Oriental serão policiados de maneiras mais militantes e mais violentas. Em geral, o cumprimento da lei será politizado e os fascistas terão um controle maior das ações cotidianas do governo. Pode-se prever que a Área C da Cisjordânia, que inclui mais de 60% da Cisjordânia e está sob controle parcial dos palestinos, enfrentará uma anexação de facto. Há mais de 200.000 residentes palestinos na Área C; presume-se que eles enfrentarão pressões maiores para emigrar.
A política israelense com relação a Gaza é pior, porém raramente é discutida na imprensa internacional. Além de usar forças militares esmagadoras contra os palestinos em Gaza, Israel limitou o uso de eletricidade deles; eles forçam o despejo de esgotos no mar; asseguram-se que a água siga sendo não-potável; e garante que a escassez de combustíveis produza o fechamento das estações de tratamento sanitário. Essencialmente, Gaza é uma prisão a céu descoberto e Netanyahu continuará as políticas de desespero forçado dentre os civis inocentes, os quais têm que tentar sobreviver nestas condições. Caso haja uma nova Intifada, Israel só poderá culpar a si mesma.
Já passou a hora do governo estadunidense e da diáspora judaica nos EUA e na Europa pressionarem os israelenses a praticarem uma política mais humana com relação à sua comunidade palestina, bem como pela necessidade de uma representação mais de centro na sua nova coalização de governo. Nos anos recentes, nenhum governo israelense esteve preparado para parar com a violência contra os palestinos nos territórios ocupados. Nos anos recentes, nenhum governo dos EUA fez alguma coisa para pressionar os israelenses. Neste ínterim, os israelenses recebem mais ajuda militar dos EUA do que qualquer outro governo, com exceção da Ucrânia. Os israelenses jogam duro; é chegada a hora dos EUA fazerem o mesmo.
(*) Melvin A. Goodman é um membro sênior do Centro de Política Internacional e professor de governo na Universidade Johns Hopkins. Um ex-analista da CIA, Goodman é autor dos livros ‘Failure of Intelligence: The Decline and Fall of the CIA’ [Falha de Inteligência: O Declínio e Queda da CIA], ‘National Insecurity: The Cost of American Militarism’ [Insegurança Nacional: O Custo do Militarismo Estadunidense], ‘A Whistleblower at the CIA’ [Um Denunciante na CIA] ‘A Whistleblower State’ [Um Estado Denunciante] e ‘Containing the National Security State’ [Contendo o Estado se Segurança Nacional]. Goodman é o colunista de segurança nacional do website www.counterpunch.org
https://www.internationalpolicy.org/people/Melvin-Goodman
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