No Paraguai, ganhou o mesmo de sempre

O Partido Colorado, do presidente eleito Horácio Cartes, governou o Paraguai por seis décadas, até 2008, e foi o principal articulador do impeachment de Fernando Lugo, no ano passado; Cartes, que tem 56 anos e preside o clube de futebol Libertad, nunca tinha votado, o que levou o partido a alterar seu regulamento interno para permitir que o milionário se candidatasse; o presidente eleito do Paraguai, que toma posse em 15 de agosto, foi preso por três meses por crime de fraude fiscal, mas diz que foi perseguição da ditadura local

No Paraguai, ganhou o mesmo de sempre
No Paraguai, ganhou o mesmo de sempre (Foto: JORGE ADORNO)


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247 - A eleição de Horácio Cartes para a presidência do Paraguai, neste domingo, deve valer ao país o retorno ao Mercosul, depois do atrapalhado impeachment de Fernando Lugo, no ano passado. Mas isso não quer dizer que as coisas mudaram por lá. Confira perfil de Cartes feito pelo jornal El País:

No domingo, venceu o habitual no Paraguai. O Partido Colorado, que governou o país por seis décadas, até 2008, incluindo a ditadura de 35 anos de Alfredo Stroessner - que fundou o general Bernardino Caballero, em 1887, o mesmo que forjou sua identidade sob a bandeira da Igreja-Estado-Forças Armadas. Eles ganharam como toda a vida, mas não com as pessoas habituais. Para ganhar ontem presidenciais e legislativas, o partido dos 22 presidentes teve que admitir em seu coração há quatro anos com o empresário do tabaco Horacio Cartes. Em um país onde o voto é obrigatório, Cartes nunca tinha votado em seus 56 anos de vida, nas em eleições municipais. Estatutos do partido exigem uma adesão mínima de 10 anos para concorrer à presidência. Mas a questão foi resolvida promovendo alterações aos regulamentos em janeiro de 2011.

O mais próximo que havia chegado da política foi quando começou a administrar, em 2001, o clube de futebol Libertad, tornando-se presidente, e fez dele o time que ganhou mais campeonatos neste século no Paraguai. Que lhe rendeu popularidade e uma imagem de eficiência grande o suficiente para aspirar à presidência de um país com 6,4 milhões de habitantes. Tudo o que levou Cartes ao partido foi a força de uma imensa fortuna construída sobre a indústria do tabaco e sua experiência como sócio em 25 empresas com 3.500 funcionários. Em troca, arrastou um currículo cheio de sombras.

O presidente eleito, que toma posse em 15 de agosto, foi preso por três meses por crime de fraude fiscal. "Mas foi durante o regime militar, quando o Código Penal era completamente diferente. Primeiro você ia para a prisão, depois te julgavam", disse Cartes um dia depois de vencer a eleição. Um de seus seguidores, Arnaldo Wiens, candidato ao Senado, provocou incômodo nas redes sociais quando declarou: "Se Cartes foi preso durante a ditadura, foi perseguido, como Nelson Mandela".

Cartes costuma dizer que seu caso foi encerrado após três instâncias. Em 2004, a Fisdcalização do Brasil iniciou uma investigação contra ele por suposto envio ilegal de remessas do Brasil para o Paraguai. Nesse mesmo ano, uma comissão parlamentar de Brasília acusou sua empresa Tabacalera del Este de contrabandear "inúmeras caixas de cigarros." Em 2011, um documento do Wikileaks revelou que a Agência Antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em Inglês) investigava Cartes em 2007 por lavagem de dinheiro. Para isso, a agência passou a infiltrar vários agentes no ambiente do empresário.

Além disso, rumores de Assunção o associam ao narcotráfico. Cartes sempre destaca que nunca foi condenado por um tribunal por narcotráfico. Mas isso não impediu que o candidato do Partido Liberal, Efrain Alegre, de chamá-lo de "narco" durante a campanha, e que sua esposa, Mirian Irun Alegre, estrela em uma campanha publicitária em que ela pedia o voto "como uma mãe", porque não queria um país controlado pela droga.

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