No país do voto livre, é preciso convencer a votar
Levantamento do jornal USA Today aponta que 90 milhões de americanos não pretendem participar das eleições que terminam nesta terça-feira, 10 milhões a mais que na última eleição. Taxa de abstenção deve ficar em torno de 46%, próximo do que teria sido na eleição municipal de São Paulo caso o voto no Brasil fosse facultativo. Com eleição apertada, eleitores de Barack Obama e Mitt Romney correm aos telefones para tentar angariar eleitores. Leia reportagem do enviado especial Rodolfo Borges
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no canal do Brasil 247 e na comunidade 247 no WhatsApp.
Rodolfo Borges _247, Miami – Filho de pais que emigraram das Bahamas para os Estados Unidos, Decibel Sejute, de 50 anos, simpatiza com o presidente Barack Obama, mas não encontra motivos para votar de novo no democrata. “São todos iguais”, lamenta o taxista, frustrado, como boa parte dos americanos, com o governo de Obama. Mas talvez ele só precise de um incentivo para votar. É no que acreditam os eleitores que se uniram em grupos ao longo da campanha para tentar convencer, por telefone, os concidadãos a irem às urnas.
A campanha de Obama em particular se preocupou em incentivar os ‘phone banks’, que viraram notícia nesta eleição quando uma republicana disparou ligações dizendo que Obama era muçulmano e ia transformar os Estados Unidos num país socialista. “Numa eleição tão apertada quanto esta, cada eleitor com que conversamos pode fazer diferença entre a vitória e a derrota”, diz um e-mail disparado pelos democratas na reta final da campanha.
O cineasta Michel Moore, democrata convicto, publicou um artigo na semana passada intitulado “90 milhões estão planejando não votar – sua missão: leve apenas um deles às urnas”. O texto foi distribuído para seus 1,2 milhões de seguidores no Twitter e quase 700 mil amigos no Facebook. O número apresentado por Moore, 10 milhões acima dos 80 milhões que não votaram em 2008, é resultado de uma pesquisa conduzida pelo jornal USA Today.
Segundo o levantamento, os motivos mais citados para não votar são 'estar ocupado demais', 'falta de animação com qualquer dos candidatos' e a 'acreditar que seu voto não faz diferença'. A pesquisa mostrou também que, desses 90 milhões, 43% votariam em Obama se estivessem planejando ir às urnas.
Abstenção
Nos Estados Unidos, onde o voto é facultativo, a taxa de abstenção vem diminuindo desde 1996, quando apenas 49% da população com idade para votar compareceu às urnas. Quando Obama se elegeu, em 2008, 57,37% dessa população votou. A expectativa, neste ano, é que a proporção fique próxima da registrada na eleição de 2000, quando 54,2% dos ‘eligible citizens’ votaram.
Pesquisa Datafolha conduzida em São Paulo na eleição municipal deste ano mostrou que o eleitor paulistano não estaria tão distante do americano. Se o voto fosse facultativo no Brasil, 44% dos paulistanos que foram às urnas e acabaram elegendo Fernando Haddad (PT) não teriam ido votar.
Assine o 247, apoie por Pix, inscreva-se na TV 247, no canal Cortes 247 e assista:
Comentários
Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247