Nicarágua vai às urnas neste domingo sob ameaça dos EUA

O jornalista Ricardo Zúniga comenta o quadro político em que a Nicarágua vai às urnas neste domingo para eleger presidente e vice-presidente da República, deputados ao parlamento nacional e ao parlamento centro-americano

(Foto: Divulgação)


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Ricardo Zúniga, 247 - As eleições gerais da Nicarágua neste domingo (7) devem ser entendidas a partir do cenário político social criado com a tentativa de golpe de Estado em 2018 desde 18 de abril, cuja forte fase foi fechada na segunda semana de julho daquele ano, com a retirada das barricadas que impediam a livre circulação de pessoas, meios de transporte coletivo em várias cidades do país (Masaya, Jinotepe, Diriamba, setores de Matagalpa e principais pontos de trânsito, na estrada que vai para o Norte e Atlântico do país. Essas ações visavam paralisar economicamente o país.

Há duas avaliações opostas: as da oposição (liderança empresarial, hierarquia católica, partidos políticos de direita) que falavam de protestos pacíficos brutalmente reprimidos. Esses protestos inicialmente pediam a revogação da reforma da Previdência, que foi retirada 48 horas após o protesto. Imediatamente após os manifestantes passaram a pedir a renúncia do presidente, da vice-presidente e do presidente do parlamento.

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E há a posição do governo da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que questionou como era possível que "protestos pacíficos mataram 23 policiais, dezenas de militantes da FSLN, queimaram várias delegacias, várias sedes municipais da FSLN, destruíram várias instalações da Universidade Nacional, sedes municipais e departamentais de diferentes ministérios, causando apenas prejuízos de mais de 300 milhões de dólares. Na realidade, o que aconteceu no ataque de abril/julho de 2018, segue os passos do manual das "revoluções coloridas" preparados pela CIA.

A partir dessas leituras dos acontecimentos, os Estados Unidos e governos que são seus aliados na América Latina desenvolveram na OEA, uma dinâmica intervencionista que exigiu uma mudança na lei eleitoral e a presença de delegados da OEA para supervisionar as mudanças legais e as eleições na Nicarágua. O governo nicaraguense rejeitou.  Os Estados Unidos e a OEA ameaçaram com sanções, que começaram a aplicar. Eles dizem que são seletivos (para certos funcionários), mas na realidade visam bloquear empréstimos internacionais para obras públicas.

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Por sua vez, o governo nicaraguense respondeu aprovando uma lei de anistia condicionada à não reincidência nos crimes anistiados. E então, com o poder de ter uma maioria qualificada no parlamento, o governo aprovou leis que regulamentam a ajuda externa às ONGs locais, proibindo sua aplicação para fins políticos eleitorais. E proibindo a aplicação de fundos estrangeiros para influenciar a atividade política eleitoral. Estabeleceu uma Lei sobre Agentes Estrangeiros que obriga a declarar todos os fundos recebidos de instituições estrangeiras e especificando como são aplicados. Havia dezenas de fundos aprovados a várias ONGs Estes respondem à necessidade de dezenas de fundos aprovados para várias ONGs,a fim de supostamente promover a educação política da juventude nicaraguense e a liberdade de imprensa, com financiamento da AID e agências de governos da União Europeia.

Como resultado das investigações contábeis aplicadas às ONGs e fundações, foi detectado um auxílio de mais de 50 milhões de dólares que as agências beneficiárias não poderiam justificar, conforme aplicado aos propósitos e atividades estabelecidos nos projetos.

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Chamada para depor, a Sra. Cristiana Chamorro, (filha da ex-presidente Violeta Chamorro) se recusou a testemunhar sobre os fundos, alegando que já tinha a aprovação do governo dos EUA (através da AID), que os fundos tinham sido bem aplicados. Por se recusar a depor sobre a suposta lavagem de dinheiro, Cristiana Chamorro está detida desde junho deste ano. Um grupo de 20 líderes de ONGs que recebem fundos de agências governamentais estrangeiras também estão sendo detidos sob a acusação de manipulação indevida de fundos. Alguns deles sem serem membros de partidos políticos haviam afirmado sua pretensão de serem candidatos a cargos eletivos. A imprensa hegemônica que segue as políticas dos governos dos EUA e da Otan,fez campanha alegando que Daniel Ortega abriu processos e prendeu todos os candidatos da oposição, que poderiam disputar o poder, e essa é a narrativa dominante na imprensa hegemônica do Atlântico Norte.

É nesse quadro político que a Nicarágua vai às urnas neste domingo eleger presidente e vice-presidente da República, deputados ao parlamento nacional e ao parlamento centro-americano.

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