Netanyahu provoca revolta após comentários sobre Holocausto

Autoridades palestinas afirmaram que o primeiro-ministro de Israel parecia estar absolvendo Adolf Hitler do assassinato de seis milhões de judeus a fim de lançar a culpa sobre os muçulmanos; o Twitter foi inundado com críticas; Benjamin Netanyahu disse nesta quarta-feira que Hitler foi convencido por um ex-líder muçulmano de Jerusalém a exterminar os judeus

Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante discurso em Jerusalém. 20/10/2015 REUTERS/Amir Cohen
Primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, durante discurso em Jerusalém. 20/10/2015 REUTERS/Amir Cohen (Foto: Gisele Federicce)


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JERUSALÉM (Reuters) - O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, provocou controvérsia nesta quarta-feira, horas antes de uma visita à Alemanha, ao dizer que um ex-líder muçulmano de Jerusalém convenceu Adolf Hitler a exterminar os judeus.

Em um discurso para o Congresso Sionista na noite de terça-feira, Netanyahu se referiu a uma série de ataques feitos por muçulmanos contra judeus na Palestina durante a década de 1920 que, segundo ele, foram instigados pelo então mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini.

Husseini foi a Berlim visitar Hitler em 1941, e Netanyahu disse que esse encontro foi fundamental para a decisão do líder nazista de lançar uma campanha para aniquilar os judeus.

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"Hitler não queria exterminar os judeus na época, ele queria expulsar os judeus", disse Netanyahu no discurso. "E Haj Amin al-Husseini foi até Hitler e disse: 'Se você expulsá-los, todos vão vir para cá."

"'Então, o que eu deveria fazer com eles?'", perguntou Hitler ao mufti, de acordo com Netanyahu. "Queime-os."

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Netanyahu, cujo pai foi um eminente historiador, foi rapidamente criticado por políticos israelenses da oposição e especialistas sobre o Holocausto, que disseram que ele estava distorcendo o registro histórico.

Autoridades palestinas afirmaram que Netanyahu parecia estar absolvendo Hitler do assassinato de seis milhões de judeus a fim de lançar a culpa sobre os muçulmanos. O Twitter foi inundado com críticas.

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"É um dia triste na história em que o líder do governo israelense odeia tanto seu vizinho que está disposto a absolver o criminoso de guerra mais notório na história, Adolf Hitler, do assassinato de seis milhões de judeus", afirmou Saeb Erekat, o secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina.

"Netanyahu tem de parar de usar esta tragédia humana para marcar pontos para suas finalidades políticas", disse Erekat, que é o negociador-chefe palestino com os israelenses.

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Não ficou claro em que fontes Netanyahu baseou os seus comentários. O livro "O Mufti de Jerusalém", de 1947, e uma reportagem de jornal na época disseram nos julgamentos de crimes de guerra de Nurembergue um ex-assessor de Hitler havia declarado que Husseini tinha tramado com o líder nazista para livrar a Europa dos judeus.

Husseini foi procurado por crimes de guerra, mas nunca apareceu no processo de Nurembergue e morreu mais tarde no Cairo.

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(Reportagem adicional de Jeffrey Heller e Ori Lewis)

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