Nem Macron nem Le Pen: estudantes ocupam universidades francesas em protesto
Manifestantes reclamam da falta de propostas sobre a ecologia ou sobre o bem-estar social dos estudantes nos programas e nos discursos dos dois candidatos
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Da RFI - Após a ocupação da Escola Normal Superior (ENS), no 14° distrito de Paris, nesta quarta-feira (13) estudantes e militantes de grupos antifascistas tomaram a famosa universidade Paris 1 Panthéon-Sorbonne, no coração da capital. A palavra de ordem é “nem Macron nem Le Pen”, em revolta contra os programas dos dois candidatos que concorrem no segundo turno da eleição, que não abordam nem a questão climática, nem a precariedade econômica dos jovens.
Neste segundo turno, a mobilização estudantil na França durante uma eleição presidencial não é contra a extrema direita, como aconteceu em 2002, em apoio ao voto contrário ao pai de Marine Le Pen, Jean-Marie. Desta vez, os estudantes ocuparam universidades em protesto às duas opções do segundo turno: a reeleição do centrista Emmanuel Macron ou a ultradireitista Marine Le Pen.
Os manifestantes reclamam da falta de propostas sobre a ecologia ou sobre o bem-estar social dos estudantes nos programas e nos discursos dos dois candidatos.
Desde segunda-feira (11), o campus Jourdan da Escola Normal Superior, em Paris, está bloqueado por dezenas de universitários. Nesta quarta, foi a vez da Sorbonne, ocupada pelos estudantes para fazer uma assembleia geral.
"É um sentimento de frustração com o agravamento da precariedade, e com o futuro que nos resta dadas as condições do planeta", explicou Victor Mendez, presidente da Unef (União de estudantes) de Nanterre, um das principais universidades dos arredores da capital.
"O objetivo é realizar ações para tornar as universidades um verdadeiro palco para o surgimento da voz juvenil e para que ela esteja representada nos debates dos dois candidatos", disse Martin Labat, estudante de um curso de ciências.
"Temos muito medo de que os candidatos não levem em conta questões que nos parecem cruciais, como a violência racista, islamofóbica e sexista, o clima e a necessidade urgente de agir diante do relatório do IPCC em particular", acrescentou Labat, em referência ao estudo do Painel Intergovernamental sobre as Mudanças Climáticas da ONU, que aleta novamente para o impacto do aquecimento do planeta.
Diversos vídeos e fotos publicados nas redes sociais mostram o histórico anfiteatro da Sorbonne tomado por centenas de estudantes em protesto. Entre eles, muitos cartazes propagam o antifascismo, pedem soluções para o clima ou apelam para a opção "nem um candidato nem outro".
No entanto, os movimentos não dão orientações sobre o que fazer no segundo turno, deixando aos estudantes a escolha entre um dos candidatos, os votos branco ou nulo ou a abstenção.
Sorbonne ocupada
No início da noite desta quarta, centenas de universitários ainda bloqueavam a universidade. "Há cerca de 150 a 200 pessoas de diferentes faculdades que ainda estão no anfiteatro da Sorbonne e que votaram a favor da ocupação", explica Nathan Kohn, estudante de direito da Paris 1.
Em algumas imagens, é possível ver que muros e equipamentos da universidade foram pichados com palavras de ordem.
Impasse político
As entradas do campus do Instituto de Ciências Políticas (Sciences Po), em Nancy, também foram bloqueadas nesta quarta, impedindo o acesso de professores, estudantes e de funcionários.
De acordo com um estudante do segundo ano, cerca de 60 jovens participaram do bloqueio durante a tarde, com o apoio do sindicato Solidaires.
"Estamos ocupando por conta deste impasse político. Os candidatos qualificados para o segundo turno das eleições presidenciais ignoram completamente nossas prioridades, que são ecologia, justiça social, [propostas] feministas e anti-racistas", afirma um comunicado.
O segundo turno da eleição presidencial francesa será decidido no próximo dia 24 de abril.
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