Não existe barbada, aponta eleição Maduro X Capriles
Resultado oficial da eleição na Venezuela alerta estrategistas do PT, partido favorito às eleições presidenciais de 2014; aprovação popular de 79% à presidente Dilma, que quer concorrer à reeleição, não é garantia de vitória sobre oposição representada por Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Marina Silva (Rede); mesmo galvanizando a comoção popular pela morte de Hugo Chávez, candidato Nicolás Maduro teve vitória oficial apertada e contestada sobre adversário Enrique Capriles; o mesmo pode acontecer aqui?
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247 _ O resultado oficial – apertado e contestado – da eleição presidencial na Venezuela alarmou alguns dos principais estrategistas do PT. Menos de um mês atrás, durante os longos cortejos fúnebres de Hugo Chávez, a vitória de seu candidato Nicolás Maduro era dada como certa por uma diferença superior a 20 pontos porcentuais sobre o adversário Enrique Capriles. O regime chavista sempre cultivou uma forte identificação com o PT brasileiro. E a recíproca é verdadeira. O ex-presidente Lula, durante a campanha venezuelana, chegou a gravar declaração de apoio a Maduro para ser veiculada na Venezuela. Ele até mesmo cedeu o marqueteiro-mor do partido, João Santana, para comandar os comerciais da campanha do candidato esquerdista.
Mas os resultados oficiais não combinaram com as previsões otimistas do campo da esquerda nos dois lados da fronteira. As críticas de Capriles à delicada situação econômica da Venezuela mostraram ter maior repercussão no eleitorado do que o populismo assistencialista apregoado, em nome de Chávez, por Maduro. A ponto de, apuradas as urnas, na madrugada desta segunda-feira, o chavismo ter atingido apenas 50,75%, algo como 700 mil votos a menos do que na eleição, no ano passado, do próprio Chávez. A oposição conservadora, ao contrário, cresceu até 48,98%, quase ganhando a disputa.
Ou, quem sabe, ganhando. Imediatamente após a apuração, iniciou-se uma batalha a favor e contra a recontagem dos votos. Capriles convocou protestos públicos de três dias por uma auditoria completa nos resultados, enquanto Maduro chamou um comício da vitória. A posse do vencedor, prevista para 15h30 de Brasília, nesta mesma segunda 15, não aconteceu no horário previsto.
Qualquer que seja a decisão sobre recontar ou não os votos venezuelanos, a simples lição dos sustos que as urnas podem conter já deixou em alerta os estrategistas do PT. Eles acreditam estar administrando uma vantagem quilométrica da presidente Dilma sobre adversários como o senador Aécio Neves, do PSDB, o governador Eduardo Campos, do PSB, e a ex-senadora Marina Silva, do Rede Sustentabilidade. A partir da súbita perda de consistência do favoritismo de Maduro, alvejado, simultaneamente, pela deterioração do quadro econômico da Venezuela, realçado pela oposição, e pelas novas exigências das classes populares promovidas pelo próprio chavismo, os petistas brasileiros perceberam que mesmo as maiores distâncias podem ser encurtadas em instantes. Um quilômetro hoje pode ser um milímetro amanhã.
ECONOMIA SERÁ TERMÔMETRO DA POLÍTICA _Marcada previamente, a agenda da presidente Dilma nestas segunda e terça-feiras tende a ser cada vez mais aplicada. Agora, ela estará em Minas Gerais, ao lado do ex-presidente Lula, para um seminário do partido e, amanhã, uma inauguração do programa Minha Casa, Minha Vida. Na ponta da língua, Dilma terá mensagens de antídotos contra as críticas à política econômica desferidas pelo presidenciável Aécio. Duas vezes governador de Minas e eleito senador, o neto do presidente Tancredo pode cumprir, contra Dilma, o papel que vai cabendo a Capriles no esgarçar do prestígio do herdeiro chavista Maduro. Para evitar que isso aconteça, a tendência é que Dilma reforce seus compromissos públicos fora do Palácio do Planalto - e de atenção permanente, como já vem dando, à economia.
As lições das urnas venezuelanas devem não apenas acelerar a agenda de compromissos da presidente, mas também aumentar entre seus estrategistas a importância da situação geral da economia como termômetro para aferir as condições da eleição do próximo ano. Mesmo tendo elevado a qualidade de vida da maioria da população da Venezuela, com múltiplos programas de transferência de renda, o chavismo não alcançou o resultado esperado sem a presença de seu líder carismático. O temor é que a presidente Dilma, herdeira direta do lulismo, possa sofrer desgaste semelhante ao experimentado por Nicolás Maduro caso as condições econômicas, especialmente no próximo ano, se deteriorem.
Aécio é o presidenciável que mais tem batido na tecla da piora no quadro econômico, enquanto Eduardo Campos ensaiou um discurso no qual procura agregar as realizações do petismo com a promessa de que é possível fazer mais. Enredada nas dificuldades reais de formar um partido político a partir de 500 mil assinaturas de eleitores, Marina Silva ainda parece à procura de seu próprio eixo. De ouvidos abertos ao que disseram as urnas venezuelanas, eles três deverão ficar mais próximos na crítica ao desempenho da economia brasileira. Por que foi a economia, e não a política, que fez o império chavista balançar. Nada garante que aqui venha a ser diferente.
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