Na Cúpula do Clima, líder indígena denunciará omissão de Bolsonaro na proteção do meio ambiente

A coordenadora do Departamento de Gestão Ambiental e Territorial do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Sineia Bezerra do Vale, falará no evento horas depois de Bolsonaro apresentar sua “política ambiental”

Sineia Bezerra do Vale
Sineia Bezerra do Vale (Foto: Reprodução | Divulgação)


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Rede Brasil Atual - A Cúpula do Clima, marcada para esta quinta-feira (22), ouvirá a coordenadora do Departamento de Gestão Ambiental e Territorial do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Sineia Bezerra do Vale, da etnia Wapichana. Já conhecida em negociações climáticas internacionais, a líder indígena está entre os convidados que participarão do debate convocado pelo governo de Joe Biden nos Estados Unidos. 

De acordo com o colunista e correspondente internacional do UOL, Jamil Chade, Sineia falará horas depois de o presidente Jair Bolsonaro apresentar sua “política ambiental” e anunciar “metas claras” para o próximo ano. Segundo a Casa Branca, o painel da liderança destacará os “esforços críticos de atores não-estatais e subnacionais que estão contribuindo para uma recuperação verde e trabalhando de forma estreita com governos nacionais para fazer avançar a ambição climática e resiliência”.

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Na manhã desta quarta-feira (21), horas antes da divulgação da agenda da Cúpula do Clima, o professor do Departamento de Geografia e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da Universidade de São Paulo (USP), Wagner Ribeiro, destacou em sua coluna na Rádio Brasil Atual que as lideranças e as comunidades indígenas deveriam ser ouvidas, em vez de Bolsonaro, no encontro que segue até sexta-feira (23). 

Pressão anti-Bolsonaro

A expectativa é que a coordenadora do CIR se some à pressão contra a gestão do governo federal. Como reportou Jamil Chade, numa entrevista à revista eletrônica A Coletiva, em 2020, Sineia afirmou que o “Ministério do meio está totalmente parado. O comitê gestor e a câmara técnica não estão funcionando”, ao responder sobre o andamento das políticas públicas a respeito das mudanças climáticas no Brasil. 

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Também no ano passado, em um debate com a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), ela enfatizou sua defesa pela manutenção dos direitos territoriais. “Garantia de vida a todos os povos do Brasil”, citou. Uma área hoje travada pelo governo Bolsonaro. “O mundo inteiro fala que a Amazônia é o pulmão do mundo. Mas no pulmão do mundo moram muitos povos indígenas que precisam ter o direito garantido para continuar fazendo com que esse pulmão continue batendo todos os dias”, alertava Sineia. 

Com Bolsonaro, o Brasil chega à cúpula com um “cartão de visita” marcado por recordes de desmatamento na Amazônia e outros biomas do país. E cercado por pressões de artistas a governadores e ex-ministros, de Fernando Henrique Cardoso a Dilma Rousseff. Todos signatários de cartas enviadas ao presidente dos EUA nas últimas semanas, onde denunciam a política ambiental do mandatário brasileiro como um fator de enfraquecimento das leis ambientais e ameaças às populações indígenas. 

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Cúpula é uma incógnita

À jornalista Marilu Cabañas, o geógrafo da USP advertiu ainda que o aumento do desmatamento e das queimadas sob Bolsonaro também tem favorecido a participação brasileira na emissão de gases do efeito estufa. “Numa escala internacional a Amazônia, ao invés de ser uma captura do carbono, está se tornando uma grande emissora de CO2. O que evidentemente agrava os efeitos do aquecimento global. E pode comprometer inclusive o esforço que outros países estão tendo para chegar a uma economia de carbono zero”, apontou. 

Por conta dessa pressão há a possibilidade, segundo Ribeiro, que esse conjunto de informações leve o governo Biden a uma reflexão “mais aguda”. O que impediria negociações com Bolsonaro. Mas a esperança não é de toda certa. “Sabemos também que os Estados Unidos são muito pragmáticos em termos de relações internacionais. E muitas vezes todo esse tipo de ação acaba não tendo muito resultado. Então há uma incógnita sobre o que vai ocorrer amanhã ou depois”.  

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