Mudar o tratado de Cars pode alterar relações políticas globalmente

Rússia, parceira integral da China e grande potência da região, se posiciona favorável a manutenção do acordo. Porém, é do interesse dos EUA que a Turquia se fortaleça cada vez mais no Cáucaso do sul, já que o país é membro da Otan

(Foto: Maxim Shemetov/Reuters)


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247 - Há noventa e nove anos está em vigor o tratado de Cars, o documento mais importante para manter definidas e intactas as fronteiras que abrangem os países da região Transcaucasia: Turquia, Armênia, Georgia e Azerbaijão.

Além de termos fronteiriços, o acordo prevê a circulação de pessoas e mercadorias. Entretanto, com a aproximação de seu centenário, o acerto poderá ser alterado. Recep Tayyip Erdoğan, presidente Turco, que já demonstrou intenções de transformar toda essa área na Grande Turquia, algo semelhante ao Império Otomano, resolveu apoiar um movimento do Azerbaijão, o qual quer promover uma revisão do pacto. A intenção é ganhar mais território para os dois países. E, como a aliança entre turcos e azerbaijanos é incondicional, há chances dessa retificação ser feita.

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A Rússia, parceira integral da China e grande potência da região, se posiciona favorável a manutenção do acordo. Porém, é do interesse dos EUA que a Turquia se fortaleça cada vez mais no Cáucaso do sul, já que o país é membro da Otan. Lembrando que, caso as tensões territoriais se elevem e cheguem as vias de fato, como já ocorreu na disputada região de Nagorno-Karabakh, os países membros da Otan são obrigados a apoiar uns aos outros. Por isso, a quebra do tratado de Cars torna a contenda por territórios na região ainda mais perigosa.

Por mais que pareça ser um assunto distante do Brasil, tudo está interligado! Colocar o País como membro da Otan, como foi uma das pretensões de Bolsonaro, durante o governo Trump, seria algo catastrófico para os interesses nacionais e, especialmente, para a diplomacia brasileira, historicamente independente e defensora da paz.

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