Moscou pagou ao El País e outros veículos ocidentais para difundir propaganda russa
Segundo o jornal espanhol El Diário, Moscou pagou para o El País e para outros veículos de mídia ocidentais difundirem matérias favoráveis à Rússia entre 2011 e 2016; o acordo só teria sido rompido porque o El País se recusou a baixar as taxas cobradas para editar e imprimir esses suplementos com notícias favoráveis à Russia; de acordo com fontes, a Rússia pagou cerca de 3,6 milhões de euros pela difusão dessas informações
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247 - A rede de propaganda russa usou meios de comunicação ocidentais entre 2011 e 2016, entre eles, o jornal El País, para divulgar informações favoráveis aos interesses comerciais e políticos do Kremlin. Isso foi feito por meio da impressão e distribuição de suplementos que acompanhavam o El País. O jornal da Editora Prisa cobrava grandes somas de dinheiro por essa colaboração.
"Com a queda do rublo e os problemas da economia russa causados pelas sanções da Ucrânia, o Kremlin deixou de ter dinheiro para editar o suplemento", dizem fontes ligadas à publicação espanhola. O suplemento Russia Beyond The Headlines (Rússia além das manchetes) foi impresso e distribuído até janeiro de 2016. Dezenas de jornais ocidentais solicitaram o suplemento em suas edições. Entre eles, The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post e Le Figaro.
O suplemento, que começou a ser chamado de Russia Today e depois mudou seu nome, continua sendo divulgado em versão digital, no site www.rbth.com. Este endereço de e-mail foi registrado em 2003 pela empresa de mídia pública russa TV-Novosti, de acordo com dados do órgão internacional de registro de domínio, ICANN.
Financiada pelo Kremlin, a TV-Novosti é a mesma empresa que publica e apoia financeiramente o portal RT.com (ex-Russia Today). Em setembro passado o colunista do El País, David Alandete, chamou a RT.com de um "órgão de propaganda a favor do Kremlin" que usa seu portal em espanhol "para difundir notícias sobre a crise catalã com um viés contrário à legalidade constitucional".
As taxas de publicidade atuais do El País, para um suplemento de 8 a 16 páginas, são de 0,29 euros por cópia. O El Pais imprime uma média diária de 230 mil exemplares, fazendo que o preço de incorporação de um suplemento à circulação seja de cerca de 67 mil euros por mês, ou seja, mais de 800 mil euros por ano. O jornal espanhol teria distribuído cerca de 55 números do suplemento russo. Pelos valores atuais, o El País teria recebido da Rússia cerca de 3,6 milhões de euros.
Aparentemente, o acordo comercial foi interrompido quando Moscou solicitou uma redução nas tarifas cobradas pelo El País. "O jornal recusou, ao contrário de muitos outros, que concordaram com a redução. Nunca entendemos a decisão, porque era muito dinheiro de qualquer maneira", disseram as fontes.
Tanto a RT.com, como a TV-Novosti e a RBTH, tem a mesma fonte de financiamento: Moscou. O Kremlin financia e nutre informativamente essa rede de mídia através da Rossíyskaya Gazeta, órgão de mídia oficial do governo russo. A Rossíyskaya Gazeta, fundada em 1990 pelo Soviete Supremo, funciona como jornal e como boletim oficial do Estado da Federação Russa.
Durante os anos em que El País imprimiu e distribuiu os suplementos RBTH, os conteúdos eram da responsabilidade da Rossíyskaya Gazeta. Muitos desses suplementos publicados pelo El País ainda estão acessíveis on-line. A redação espanhola da RBTH propunha conteúdos, especialmente na editoria de cultura. De Moscou, chegavam já em castelhano, matérias de cunho político ou econômico.
A guerra na Síria, as relações entre a Rússia, a OTAN e a UE, ou questões de política energética, foram as questões mais recorrentes. Com as manchetes do estilo de 'O retorno do líder que nunca se foi', com uma foto de Putin, ou 'Por que Moscou se sente ameaçada pela OTAN?'
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