Mortes em Fukushima não foram causadas por radiação, diz ONU

Relatório divulgado nesta quinta diz respeito às mortes de seis trabalhadores da Tepco, empresa gerente da usina nuclear japonesa

Mortes em Fukushima não foram causadas por radiação, diz ONU
Mortes em Fukushima não foram causadas por radiação, diz ONU (Foto: REUTERS/Issei Kato)


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Thassio Borges _Opera Mundi – Um relatório das Nações Unidas apresentado nesta quinta-feira 24 em Viena, na Áustria, aponta que as mortes de seis trabalhadores da Tepco, empresa gerente da usina nuclear japonesa de Fukushima, não foram causadas pela radiação emitida após o acidente de março de 2011.

O estudo do UNSCEAR (Comitê Científico da ONU sobre os Efeitos da Radiação Atômica) é preliminar e leva em consideração a análise e as medições de elementos radioativos no ar, solo, água e alimentos, além das doses de radiação recebidas por crianças e adultos na região do incidente.

Segundo o relatório, apesar da elevada exposição à radiação, "não foram registrados efeitos clinicamente observáveis" que pudessem, de fato, estar ligados às mortes dos trabalhadores de Fukushima Daiichi.

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Em entrevista coletiva, o presidente do UNSCEAR, Wolfgang Weiss, afirmou que um dos trabalhadores que morreram após o incidente tinha leucemia. Segundo Weiss, no entanto, "é possível descartar que tenha tido algo a ver com a exposição radiológica".

Ainda com base no relatório, um total de 20.115 trabalhadores esteve exposto à radiação em Fukushima, mas apenas oito receberam doses elevadas de contaminação. Segundo Weiss, as maiores concentrações de radiação aconteceram nos primeiros dias que se seguiram ao acidente - causado por um terremoto e um tsunami – quando havia poucos trabalhadores na Usina.

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Apesar de classificar os números como "confiáveis", o presidente afirmou que a organização irá divulgar um novo relatório mais completo dentro de um ano. O comitê existe desde 1995 e conta com 27 analistas de todo o mundo.

Assessor da AIEA

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Em março, em entrevista a Opera Mundi, Leonam dos Santos Guimarães, membro do Grupo Permanente de Assessoria em Energia Nuclear do AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), minimizou as consequências da exposição dos trabalhadores japoneses à radiação.

"Não houve nenhum empregado que tenha sofrido os efeitos da radiação. Não foi um desastre. O desastre aconteceu em relação aos 15 mil japoneses [N.R. mais de 13 mil confirmados] que morreram por conta do terremoto e do tsunami. Estas são as verdadeiras vítimas", apontou Guimarães, que falou ainda sobre o medo que a energia nuclear desperta, de forma geral.

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"Existe uma pré-disposição ao tema energia nuclear. É um assunto que tem um impacto psicológico enorme na sociedade. E houve uma superexposição desse tema durante o acidente que foi desproporcional ao estrago que ocorreu. [...] O problema é que o tema nuclear desperta o medo. E isso acontece por conta também do mimetismo em que as pessoas confundem usina nuclear com arma nuclear", completou.

O acidente de Fukushima foi provocado pelo terremoto, seguido de tsunami, que atingi o nordeste do Japão em 11 de março de 2011. A tragédia, uma das maiores da história do país, causou mais de 13 mil mortes e deixou 16 mil pessoas desaparecidas.

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