Morte de oposicionista derruba governo da Tunísia

Governantes islâmicos dissolveram o Parlamento nesta quarta-feira e prometeram convocar eleições rapidamente na tentativa de acalmar as maiores manifestações populares no país desde a revolução de 2011

Morte de oposicionista derruba governo da Tunísia
Morte de oposicionista derruba governo da Tunísia (Foto: ZOUBEIR SOUISSI)


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Por Tarek Amara

TÚNIS, 6 Fev (Reuters) - Os governantes islâmicos da Tunísia dissolveram o Parlamento nesta quarta-feira e prometeram convocar eleições rapidamente na tentativa de acalmar as maiores manifestações populares no país desde a revolução de 2011 em reação ao assassinato de um líder oposicionista.

O anúncio feito pelo premiê de que um gabinete tecnocrático interino irá substituir sua coalizão de maioria islâmica ocorreu no fim de um dia que começou com o assassinato de Chokri Belaid, um advogado esquerdista que tinha relativamente poucos seguidores políticos, mas que falava por muitos que temem restrições de radicais religiosos às liberdades conquistadas na rebelião que deu início à Primavera Árabe, há dois anos.

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Durante todo o dia, manifestantes enfrentaram policiais nas ruas da capital e de outras cidades, inclusive Sidi Bouzid, berço da chamada Revolução de Jasmim, que derrubou o ditador Zine al Abidine Ben Ali em janeiro de 2011.

Em Túnis, uma multidão incendiou a sede do Ennahda, partido islâmico moderado que fez a maior bancada na eleição legislativa de 16 meses atrás.

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O primeiro-ministro, Hamdi Jebali, do Ennahda, foi à TV à noite para declarar que as negociações das últimas semanas entre vários partidos a respeito de uma reforma no governo fracassaram e que ele decidiu substituir todo o seu gabinete por tecnocratas apartidários até a realização de eleições o mais breve possível.

Os três partidos da coalizão passaram as últimas semanas envolvidos num impasse. O pequeno e laico Congresso pela República, do presidente Moncef Marzouki, ameaçava deixar o governo se o Ennahda não substituísse alguns dos seus ministros.

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O incidente desta quarta-feira parece ter precipitado a decisão de Jebali, que continuará como primeiro-ministro.

Antes desse pronunciamento, o premiê havia lamentado a morte de Belaid. "Foi um assassinato político, e o assassinato da revolução tunisiana", afirmou.

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