Morsi, o homem da semana
Após anos de sonolência com suas múmias, parece que o Cairo acordou. O presidente egípcio precisa se afastar da tentação dos superpoderes
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O prêmio "Homem da semana" com certeza vai para o controverso presidente do Egito, Mohamed Morsi.
Eleito em junho para substituir o faraó Hosni Mubarak, que ficou no poder por 30 anos, o tecnocrata, com origens na Irmandade Muçulmana, foi o grande vencedor da batalha (também diplomática) entre Israel e Hamas, grupo radical islâmico que controla a Faixa de Gaza e "filhote" da Irmandade.
O chefe do Cairo, quietinho, costurou um cessar-fogo entre as partes envolvidas. Claro que foi um acerto frágil, mas muito oportuno para o que se desenhava no curto prazo.
O problema é que logo após "comemorar" sua ação no campo internacional, Morsi copiou os piores traços do antecessor Hosni. Ele emitiu emendas constitucionais que aumentam seu poder e dão imunidade aos parlamentares islamitas aliados a ele. Além disso, Mohamed mandou reabrir algumas investigações tidas como encerradas contra membros do Ancien Régime.
Segundo as novas determinações, todas as decisões de Morsi tomadas desde junho não poderão ser contestadas pela Justiça até que uma nova Constituição seja aprovada pelo painel constituinte, que ganhou garantias de que não poderá ser dissolvida pelo Judiciário.
Obviamente que a oposição chiou muito. Mohamed ElBaradei, diplomata e ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, chamou Morsi de "faraó" por causa dos novos atos do governo. O grupo político do presidente garantiu que os "superpoderes" vão acabar assim que a nova Carta Magna for escrita e um novo Parlamento eleito. "Não queremos que o governo fique refém de um Judiciário corrupto", falou um assessor presidencial. Esperamos que seja verdade, pois seria um enorme desperdício para a região que uma figura estratégica como Mohamed Morsi se torne um novo déspota.
Apenas para ilustrar como Morsi está em "alta", Barack Obama conversou com o colega egípcio seis vezes nos últimos dias, algo bem incomum no âmbito dos contatos presidenciais. Em Jerusalém, após o anúncio do cessar-fogo, Hillary Clinton disse: "O novo governo do Egito assume a responsabilidade e liderança que tornaram este país um marco fundamental de estabilidade e paz regional". Após anos de sonolência com suas múmias, parece que o Cairo acordou. Morsi precisa se afastar da tentação dos superpoderes.
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