Militares ucranianos se queixam da falta de armamento e dizem estar perdendo a confiança em seus comandantes, diz a agência RFI

Soldados ucranianos reclamam da falta de armas pesadas para lutar contra as forças russas e da desorganização da hierarquia entre suas próprias tropas

Um soldado tira uma foto de seu companheiro enquanto ele posa ao lado de um tanque russo destruído e veículos blindados, em meio à invasão da Rússia na Ucrânia em Bucha, na região de Kiev, Ucrânia 2 de abril de 2022
Um soldado tira uma foto de seu companheiro enquanto ele posa ao lado de um tanque russo destruído e veículos blindados, em meio à invasão da Rússia na Ucrânia em Bucha, na região de Kiev, Ucrânia 2 de abril de 2022 (Foto: REUTERS/Zohra Bensemra)


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Sébastien Németh, enviado especial à Ucrânia, RFI - Instalados nas colinas dos arredores de Lysychansk, os soldados da 3ª brigada do 20º batalhão de infantaria descansam após o retorno do front. Da base é possível ver, não muito longe, o rio Severski Donets, considerado estratégico. Como sua travessia é difícil, ele acaba servindo de barreira natural. Mas deste mesmo local também é possível avistar as colunas de fumaça provocadas pelas bombas em Severodonetsk. 

“Os russos nos bombardeiam 24 horas por dia. Não param nunca”, conta um dos soldados. “Quando enviamos nossos homens, em apenas dois minutos de combate já temos vários feridos no grupo e somos obrigados a recuar. Novos soldados são enviados e, minutos depois, já estão mortos”, detalha. 

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O relato ilustra as dificuldades encontradas pelas forças ucranianas, que perdem espaço na região, mas também o desequilíbrio entre os dois campos. “Os russos têm artilharia, veículos blindados, e contingentes entre cinco e seis vezes maiores", constata o sargento Roman Ilchenko. 

A região de Lugansk, no Donbass, ainda é controlada pelas forças ucranianas, mas é constantemente bombardeada pelos russos.

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Entre os soldados, a sensação é de uma luta desigual. “Nós temos apenas metralhadoras e fuzis AK47. Alguns dos nossos lançadores de mísseis datam de 1986. Uma das nossas metralhadoras, Degtyaryov, é de 1943 e outra, Maxim, de 1933. Também temos um lançador de míssil sueco NLAW, mas a bateria parou de funcionar. É tudo o que temos”, desabafa Volodymyr Kharchuk, soldado do 20° batalhão. Ele acaba de retornar de uma missão que tinha como objetivo proteger a retirada de tropas por via aérea. “Tivemos que levar armas que normalmente usamos para caçar”, confessa. 

A missão que Kharchuk relata foi marcada por obstáculos do início ao fim. Ao retirarem as tropas, os homens da 3° brigada se dirigiram para uma ponte, mas ela havia sido destruída. Os soldados contam que tiveram que atravessar o rio a pé, lutando contra a correnteza.

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“Nosso equipamento é pesado e tivemos que usar cordas para efetuar a travessia. Tudo isso em meio a tiros de morteiro. Nossa retirada deu certo, mas soubemos que, do outro lado do rio, alguns comandantes dizem que somos desertores e nos ameaçaram de prisão. E foram eles mesmos que nos deram ordem para deixar a cidade”, conta Kharchuk. 

Segundo o soldado, no dia seguinte sua hierarquia negou ter ordenado a saída de Severodonetsk, mostrando dissonânicas cada vez mais difíceis para os soldados no front. 

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“Não acreditamos mais em nossos superiores”

Roman Ilchenko, membro da mesma unidade, dá um exemplo concreto. Segundo ele, o grupo recebeu ordens para defender a ponte que liga Severodonetsk e Lysychansk. “Oficialmente, o objetivo é impedir os russos de passar. Mas essa ponte já está destruída. Não tem nenhum sentido, pois os russos podem atravessar o rio em qualquer outro lugar, onde é menos profundo”, explica o soldado que reclama da falta de lógica nos comandos recebidos. 

“Meus homens estão prontos para combater. Mas nós precisamos de material, de artilharia. Nossos soldados não estão desmoralizados. Eles querem lutar. Mas nós não acreditamos mais em nossos superiores”, se irrita. “Combatemos com patriotismo, mas isso não é suficiente para se defender contra um poder de fogo tão grande”, completa. 

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Diante dos meios empregados pelos russos, os soldados ucranianos ouvidos pela reportagem da RFI são unânimes: Severodonetsky já está perdida. Eles dizem que é preciso reagir, mas sem reforçar a artilharia, a missão é impossível. 

“Não podemos combater apenas com fuzis AK47. Os russos vão nos massacrar. Eles nos bombardeiam pelo céu, com morteiros, e não podemos replicar apenas com kalashnikovs ou lançadores de foguetes de baixo alcance”, avalia Andreï Chevchenko, outro soldado do grupo. Como muitos de seus colegas, ele teme que, se nada for feito, toda a região do Donbass estará em breve nas mãos dos russos.

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