México classifica espionagem dos EUA como "inaceitável"
Revista alemã Der Spiegel fez novas denúncias sobre a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA); desta vez, o órgão invadiu a conta de email de Felipe Calderón enquanto ele era o presidente mexicano, segundo a publicação; "É uma prática inaceitável, ilegal e contra a lei mexicana e internacional", diz um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do México
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CIDADE DO MÉXICO, 21 Out (Reuters) - O México fez duras críticas aos Estados Unidos após novas denúncias de espionagem feitas por uma revista alemã, de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) invadiu a conta de email de Felipe Calderón enquanto ele era o presidente mexicano.
O revista semanal Der Spiegel reportou que, em maio de 2010, uma das divisões da NSA conseguiu acessar a conta de email do então presidente Felipe Calderón e tornar o gabinete presidencial uma "lucrativa" fonte de informação.
Os detalhes sobre a suposta invasão da conta de Calderón pela NSA foram retirados de um documento vazado pelo ex-prestador de serviço da agência Edward Snowden, segundo a reportagem. As informações vazadas por Snowden provocaram reações de repúdio contra Washington na América Latina, principalmente do Brasil, que também foi alvo de espionagem dos EUA, segundo denúncias.
A NSA obteve sucesso em invadir um servidor central na rede da Presidência mexicana, utilizado por diversos membros do gabinete de Calderón, colhendo valiosas informações sobre assuntos diplomáticos e econômicos, de acordo com a Der Spiegel.
Sem citar diretamente a reportagem alemã, amplamente replicada na mídia mexicana, o Ministério das Relações Exteriores do México condenou, no domingo, as recentes denúncias sobre "ações suspeitas de espionagem perpetradas pela Agência de Segurança Nacional (dos EUA)."
"É uma prática inaceitável, ilegal e contra a lei mexicana e internacional", diz o comunicado do Ministério.
O México é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA e a denúncia pode afetar as relações em um momento no qual os dois lados buscam melhorar a cooperação em questões como a segurança de fronteiras e a luta contra o crime organizado.
O Ministério recordou no comunicado que o presidente dos EUA, Barack Obama, alegou na mais recente reunião com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, que sucedeu Calderón em dezembro, estar comprometido com a condução de uma "exaustiva investigação" sobre os responsáveis pela suposta espionagem.
"Em um relacionamento entre vizinhos e parceiros não há espaço para as ações que foram supostamente conduzidas", acrescentou.
Peña Nieto, que de acordo com outras reportagens também foi vítima da espionagem da NSA antes de assumir o mandato, já havia classificado as denúncias de espionagem pelos EUA como "inaceitáveis", em julho.
Mesmo assim, o México, que envia 80 por cento de suas exportações para os EUA, tem tido uma reação mais contida às alegações de espionagem do que o Brasil.
No mês passado, a presidente Dilma Rousseff adiou indefinidamente uma visita de Estado a Washington que estava marcada para outubro por causa das revelações de que a NSA espionou suas comunicações. Dilma também atacou a espionagem dos EUA em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU.
(Reportagem de Dave Graham)
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