Mercosul não deve ser tratado apenas como um bloco comercial, diz pesquisador

O Brasil e o Uruguai apostam na "flexibilização" do Bloco, contra a opinião da Argentina

(Foto: divulgação)


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Sputnik - O Brasil decidiu apoiar uma proposta do Uruguai de reduzir em 20% a Tarifa Externa Comum (TEC) no Mercosul. Sobre este assunto a Sputnik Brasil ouviu o professor Charles Pennaforte, especialista no bloco sul-americano, que afirmou que o Mercosul deve ser aprofundado.

Na segunda-feira (26), representantes de Brasil e Uruguai concordaram, durante reunião do Conselho Mercado Comum do Mercosul, sobre a redução da tarifa no bloco. A Argentina discordou da medida.

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A proposta uruguaia foi endossada pelos ministros brasileiros da Economia e também das Relações Exteriores, Paulo Guedes e Carlos França, respectivamente. O teor da reunião foi divulgado na terça-feira (27) pelo Ministério da Economia. Durante a reunião, Guedes defendeu ainda a ideia de que cada país no Mercosul tenha autonomia para negociar acordos bilaterais.

A proposta do Uruguai aponta redução imediata de 10% na TEC com corte posterior de mais 10% até o final de 2021. Caso entre em vigor, a medida fará com que, por exemplo, um produto que hoje paga 10% para entrar no bloco passe a pagar 8%. A próxima reunião do Conselho Mercado Comum está prevista para maio e será sediada em Buenos Aires.

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Proposta de flexibilização é antiga, diz pesquisador

Charles Pennaforte, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e coordenador do Grupo de Pesquisa CNPq Geopolítica e Mercosul, acredita que a proposta precisa de uma discussão mais ampla e lembra que o Uruguai sempre foi a favor de uma flexibilização maior das regras de importação do bloco.

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"A gente tendo uma visão ampla do Mercosul, somente em uma discussão mais efetiva seria interessante para você definir exatamente isso. Então, uma redução pura e simplesmente de uma maneira voluntarista, jogando em cima de números, 'vamos reduzir', mas sem levar em conta fatores de produção e a própria dinâmica do comércio intrabloco, acho um pouco preocupante nesse momento", afirma o professor em entrevista à Sputnik Brasil, acrescentando que a discordância da Argentina é um aspecto importante a ser discutido em profundidade pelo bloco.

A exemplo da União Europeia, Mercosul deve ser aprofundado

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O pesquisador recorda que o Mercosul foi criado nos anos 1990 com a intenção de reunir países sul-americanos para enfrentar de forma conjunta os desafios globais do mundo pós-Guerra Fria.

Na opinião de Pennaforte, o bloco ampliou os interesses na década seguinte, estendendo o olhar para além da área comercial, a exemplo da União Europeia, pensando em integração e preocupações sociais. Essa ampliação, segundo ele, costuma gerar tensões que afloram em propostas de flexibilização, como a do Uruguai e a do ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes.

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"Esse tema sempre volta, essa discussão sobre se o Mercosul deve se flexibilizar ou não. Eu acredito, na minha concepção, que o bloco deva se aprofundar no sentido de caminhar em uma dimensão próxima da União Europeia, onde a União Europeia criou a cidadania, a moeda e foi aprofundando, não sendo única e exclusivamente um bloco econômico", afirma Pennaforte.

Para o professor de Relações Internacionais, os aspectos produtivos regionais aumentam a importância do Mercosul, que deve ter sua capacidade ampliada e evitar buscar apenas o aspecto comercial.

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"Na minha concepção vejo um discurso muito ideológico. Acusam muito a esquerda no Brasil, porque teria ideologizado o Mercosul, mas a direita também, vamos dizer assim, faz isso, não dando valor à importância que o bloco tem", aponta.

Segundo Pennaforte, o Mercosul deve ser mais valorizado no Brasil para conquistar o avanço das possibilidades oferecidas pelo bloco.

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"Querendo ou não, com todas as nossas dificuldades, o Mercosul chegou aos seus 30 anos. Então, isso é uma discussão muito complicada. Uma das grandes dificuldades do Mercosul são as próprias elites empresariais, econômicas e midiáticas, que não veem com bons olhos o Mercosul e isso dificulta um pouco esse avanço", conclui.

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