Medidas de duas caras dos EUA tentam impor mudança à China
Os atritos comerciais entre os Estados Unidos e a China apresentaram novos problemas recentemente, afirma em comentário a Rádio China Internacional
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247, com Rádio China Internacional - A agência de notícias norte-americana Bloomberg publicou uma notícia citando fontes próximas aos governos envolvidos. Segundo a agência, representantes do secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, e do vice-premiê chinês, Liu He, estão realizando contatos privados sobre o reinício das negociações comerciais entre os dois países. Ao mesmo tempo, os EUA podem começar a aplicar sobretaxas no valor de US$16 bilhões a produtos chineses. O prazo estipulado: 1º de agosto.
A reportagem também informa que os EUA estão pensando em lançar uma sobretaxa de 25% a produtos chineses num valor total de US$ 200 bilhões. O índice é mais alto do que os 10% considerados inicialmente.
Por um lado, os EUA divulgaram sinais de intenção de negociar com a China. Por outro, vêm reforçando o recurso da sobretaxa. Assim, fica patente que os Estados Unidos não estão comprometidos com a solução dos problemas. Na realidade, esperam obter mais benefícios ao adotar uma postura de duas caras.
A conduta norte-americana já era prevista pelos chineses. Isso porque a China já testemunhou inúmeras vezes esse tipo de comportamento dos Estados Unidos. Podemos dizer que, independentemente do valor das sobretaxas, a China está disposta a adotar contramedidas.
Ao olhar em retrospectiva, percebemos que o comportamento dos EUA implica três manobras do país.
Primeiramente, como os EUA não conseguiram nenhum progresso imediato na batalha comercial com a China, o governo de Donald Trump está preocupado e pretende impor pressões à China de forma mais radical.
A partir das sobretaxas a US$ 50 bilhões de produtos chineses até o valor de US$ 200 bilhões, o governo norte-americano espera pressionar a China. Porém, a Casa Branca descobriu que sua "arte de negócios" não funciona com a China, um país com ritmo próprio de desenvolvimento e vantagens especiais. O livre comércio e o sistema multilateral, garantidos pelo país asiático, correspondem à tendência de desenvolvimento e ganharam a simpatia da comunidade internacional.
Segundo, a voz contra a batalha comercial vem aumentando nos EUA, enquanto o governo de Trump tenta desviar a atenção da opinião pública. Durante um comício político realizado no estado de Iowa, Trump reconheceu que as contramedidas chinesas prejudicaram os agricultores norte-americanos.
Sob a sombra da batalha comercial, muitas empresas de grande porte dos EUA sentem a pressão. A General Electric (GE) calculou que os custos vão aumentar em entre US$ 300 milhões e US$ 400 milhões. As montadoras General Motors e Ford também baixaram sua previsão de lucros para este ano.
Para salvar a bolsa de valores, a Casa Branca emitiu a notícia da possibilidade do recomeço das negociações com a China no dia 31 de julho. Por outro lado, os EUA continuam fortalecendo as sobretaxas contra o país, explicitando sua intenção de desviar o foco do público.
Terceiro, o governo de Trump não se satisfaz em apenas lidar com o problema do déficit comercial, mas espera mudar o caminho do desenvolvimento da China. A questão do déficit pode ser resolvida com o aumento do comércio. As recentes condutas norte-americanas mostram que o país não quer se limitar à redução do déficit com a China, mas pretende impor ao país uma "reforma estrutural", conforme as exigências norte-americanas.
Todos os países soberanos têm o direito de escolher seu modelo de desenvolvimento. Os EUA jamais obrigarão a China a mudar seu caminho de desenvolvimento gerando uma batalha comercial
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